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Crise na Grécia

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Negociações entre Grécia e credores interrompidas para celebração da Páscoa ortodoxa

As negociações entre o Governo grego e os credores estão interrompidas para as comemorações da Páscoa ortodoxa até a próxima semana, quando serão retomadas para tentar chegar a um entendimento antes do Eurogrupo de 24 de abril.

Celebração da Páscoa ortodoxa em Atenas

Celebração da Páscoa ortodoxa em Atenas

© Alkis Konstantinidis / Reuter

As celebrações da Páscoa na Igreja Ortodoxa, que acontecem mais tarde do que nas igrejas ocidentais porque usam o calendário juliano para definir a data, vão fazer parar o trabalho dos grupos técnicos que estão em Atenas e que recolhem os dados necessários para concretizar o plano de reformas.

Segundo a agência de notícias Efe, também não estão previstas reuniões a nível político, em Bruxelas, sendo esperado que as negociações retomem então na próxima terça-feira, de modo a que seja alcançado um primeiro entendimento antes da reunião informal dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo), em Riga, a 24 de abril.

Esta quarta-feira, reuniu-se em Bruxelas o grupo de trabalho do Eurogrupo, tendo o diário grego Kathimerini noticiado que os parceiros europeus fizeram um 'ultimato' de seis dias à Grécia para apresentar novas propostas em termos de finanças públicas, pensões, legislação laboral e privatizações.

Na quinta-feira, o porta-voz Comissão Europeia - que juntamente com o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade formam o agora chamado Grupo de Bruxelas - recusou comentar essa informação.

Atenas está desde fevereiro - quando foi prolongado o atual programa de resgate, até junho - em negociações com os credores oficiais sobre as reformas a adotar no país que permitam desbloquear ajuda financeira tão necessária aos cofres públicos helénicos.

O calendário está cada vez mais apertado, já que a lista tem de ficar fechada até final de abril e, até lá, há as comemorações da Páscoa ortodoxa e de 17 a 19 de abril os representantes das instituições juntam-se em Washington para a reunião da primavera do FMI.

Na semana passada a Grécia enviou para os credores uma nova proposta com medidas que levariam o Estado a terminar este ano com um excedente orçamental primário (sem juros da dívida) entre 3,1 e 3,9% do Produto Interno Bruto.

O novo pacote, prevê o Governo grego, poderia aumentar receitas até 6,1 mil milhões de euros, sobretudo em luta contra a evasão fiscal e combate à fraude, o que permitiria compensar as despesas adicionais de 1,1 mil milhões também inscritas. Neste caso, o destaque vai para a reposição do 13.º mês para as pensões mais baixas.

Nas privatizações, é dito que serão cumpridos os contratos acordados e que aquelas que estão já a decorrer vão ser concluídas, como a do Porto de Pireus, enquanto outras serão avaliadas caso a caso. 

No entanto, esta nova proposta está longe de agradar aos credores.

Na parte das finanças públicas, as instituições consideram as estimativas muito otimistas nas receitas e discordam da previsão de despesas.

Nas pensões, não é visto com bons olhos o restabelecer do mês extra para as pensões mais baixas, com um impacto orçamental de 600 milhões de euros, assim como o fim da regra de défice zero nas pensões complementares, como a 'troika' exigia e que levaria a novos cortes nas pensões.

Nas matérias laborais, o executivo continua pouco disposto em liberalizar mais os despedimentos, enquanto nas privatizações Atenas quer um modelo diferente, em que o Estado mantenha uma participação maioritária nas empresas a privatizar.

O Governo tem reiterado que não vai aplicar quaisquer medidas que possam agravar a recessão, como cortes de salários e pensões e despedimentos de funcionários públicos.

A Grécia, que não recebe qualquer apoio financeiro dos credores oficiais desde agosto passado, está a ficar com os cofres públicos vazios. 

Para que o país aceda aos fundos da última fatia do programa de resgate (de 7,2 mil milhões de euros) deverá ser necessário não só um acordo sobre as reformas, como a sua adoção pelo parlamento grego para as pôr em marcha.



Lusa
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