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Crise na Grécia

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Moscovici acredita hoje "mais que nunca" em acordo entre Atenas e credores

O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, disse acreditar hoje "mais que nunca" num acordo entre a Grécia e os seus credores, apesar dos avanços e recuos nas conversações dos últimos meses. 

Geert Vanden Wijngaert

"Acredito mais que nunca que um acordo é possível se a vontade política for partilhada por todos. Os próximos dias serão decisivos para a Grécia", realçou o comissário em declarações à agência France-Presse. 

As palavras de Moscovici surgem depois de já hoje a Comissão Europeia se ter manifestado insatisfeita com as propostas apresentadas na terça-feira pela Grécia no âmbito do plano de assistência financeira, argumentando que estas "não refletem" as discussões anteriores entre Atenas e Bruxelas. 

Um dia depois de ter confirmado a receção de uma contraproposta por parte das autoridades gregas relativamente ao programa de reformas que deverá acordar com os seus credores internacionais, o porta-voz da Comissão Margaritis Schinas disse hoje que o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, já comunicou ao governo de Atenas, na quarta-feira à tarde, que "as últimas sugestões não refletem o estado das discussões" mais recentes.

"As últimas sugestões apresentadas não refletem as discussões entre o Presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro Alexis Tsipras" na passada semana em Bruxelas, disse aos jornalistas Margaritis Schinas.

De acordo com o responsável, "o trabalho técnico prossegue, de forma a tentar encurtar as diferenças entre as diferentes posições e criar as condições para um acordo unânime entre os 19 membros da zona euro".

No entanto, acrescentou, do ponto de vista de Bruxelas, "para este último «empurrão» (nas negociações), a bola está claramente do lado do governo da Grécia, que deve dar seguimento" ao que foi discutido nos mais recentes encontros, designadamente na reunião que juntou o presidente da Comissão, jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, na semana passada, e o comissário Moscovici e representantes do governo grego já na semana em curso.

Novas discussões deverão ter lugar entre hoje e quinta-feira em Bruxelas, dada a presença, na capital belga, dos chefes de Estado e de Governo para a cimeira UE-Celac (América Latina e Caraíbas).

Em causa continua a estar um acordo entre Atenas e os seus credores internacionais em torno das reformas com as quais o governo de Tsipras se deve comprometer para ter direito ao desembolso de 7,2 mil milhões de euros, uma tranche da assistência financeira suspensa há meses.

Após um fim de semana de tensão, a Grécia retomou na terça-feira as negociações com os credores europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Atenas entregou "dois textos" com propostas ao comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.

A Grécia enfrenta problemas de liquidez e vai ter de pagar perto de 1,6 mil milhões de euros ao FMI a 30 de junho.

Lusa