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Crise na Grécia

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Acordo sobre a Grécia alcançado mas resgate deve demorar um mês

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Cronologia dos principais acontecimentos da crise grega desde a apresentação de novas propostas de Atenas aos credores até ao acordo para iniciar as negociações para o terceiro resgate, que deverão levar mais cerca de quatro semanas.

EPA

Quinta-feira, 9 de julho:

- O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, diz que os credores da Grécia têm de fazer uma proposta "realista" na gestão da dívida, enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, repete que se opõe a um corte "clássico" na dívida da Grécia.

- A Grécia apresenta um novo plano de reestruturação em Bruxelas, dois dias antes do prazo. Inclui "suportar as necessidades de financiamento do país por três anos", ajustamento da dívida e "um pacote de 35.000 milhões de euros" consagrado ao crescimento económico.

 Sexta-feira, 10 de julho:

- Atenas detalha a nova proposta. Nela, diz que vai ceder às exigências dos credores no sentido de desencorajar as reformas antecipadas e aumentar as contribuições de saúde por parte dos pensionistas, ao mesmo tempo que vai aumentar os impostos para as empresas, exportações e bens de luxo. O Governo grego planeia igualmente vender a parte pública no gigante das telecomunicações OTE e privatizar os portos de Piraeus e Thessaloniki até outubro.

 Sábado, 11 de julho:

- O encontro dos ministros das Finanças da zona euro termina, ao fim de oito horas, com divisões sobre se devem ou não aprovar uma terceira linha de crédito de 80 mil milhões de euros à Grécia.

- Na reunião do Eurogrupo circula um documento, atribuído à delegação alemã, no qual são pedidos compromissos mais concretos por parte de Atenas. Nesse documento, é defendido que, na ausência desses compromissos, a Grécia deve deixar a zona Euro temporariamente, durante cinco anos, até conseguir colocar a sua economia em ordem.

 Domingo, 12 de julho:

- Os ministros das Finanças da zona euro retomam a reunião da véspera. O documento do encontro admite que o terceiro programa de ajuda solicitado pela Grécia poderá ascender a 86 mil milhões de euros, segundo as necessidades financeiras estimadas pelas instituições. O documento é transmitido aos líderes da zona euro e admite que o resgate poderá incluir de 10 a 25 mil milhões de euros para o setor bancário grego.

- À saída do Eurogrupo, o ministro finlandês das Finanças, Alexander Stubb, afirmou que foram acordadas as condições que a Grécia tem de levar a cabo para ter acesso a um novo pacote de ajuda financeira. Entre as condições está a aprovação, até quarta-feira (15 de julho), legislação que execute as medidas de austeridade propostas aos credores, em troca de um empréstimo. Tal passará por legislação referente à subida do IVA, reforma das pensões, legislação laboral, assim como a criação de um fundo com 50 mil milhões de euros em bens públicos, que poderá ficar sob administração europeia, entre outras medidas.

- A União Europeia cancela a cimeira dos 28 Estados-membros, em Bruxelas, para decidir se a Grécia deve ou não permanecer na zona euro. Em vez disso, realiza-se a cimeira com os 19 líderes de Governo e chefes de Estado da zona Euro, ao mesmo tempo que a Grécia é pressionada a aprovar novas reformas.

- A cimeira dos chefes de Estado e de Governo dos países da zona euro é interrompida para uma reunião entre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, com o objetivo de ser encontrado um acordo que permita um terceiro resgate. No encontro participam ainda o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o ministro das Finanças da Grécia, Euclides Tsakalotos. 

Segunda-feira, 13 de julho:

- Ao fim de 17 horas de negociações, várias interrupções e acusações de parte a parte, os chefes de Estado e de Governo da zona euro, reunidos em Bruxelas desde domingo à tarde, chegaram de manhã a um acordo sobre a Grécia. O acordo inclui um fundo com ativos gregos no valor de 50 mil milhões de euros para ser usado para abater à dívida e sobretudo para pagar o dinheiro que vier a ser usado na recapitalização dos bancos gregos. Além disso, os parceiros europeus querem que até quarta-feira sejam aprovadas no Parlamento grego medidas como aumento do IVA, reforma do sistema de pensões ou legislação laboral.´

- Os ministros das Finanças da zona euro voltam a reunir-se à tarde, com o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, a estimar que as negociações do terceiro resgate à Grécia possam demorar cerca de quatro semanas, e a afirmar que não houve acordo sobre o empréstimo intermédio (para evitar que Atenas volte a incumprir com obrigações financeiras) na reunião devido à complexidade do assunto.

- Ainda a meio desta semana, deverá haver mais uma reunião por teleconferência dos ministros das Finanças da zona euro. Outra reunião está prevista para o final da semana, para que o Eurogrupo dê finalmente mandato às instituições para reabrirem as negociações com vista à aprovação do terceiro programa de ajuda a Atenas, que se antecipa que oscile entre os 82 e os 86 mil milhões de euros.

- Enquanto o novo resgate não é aprovado, o chamado 'financiamento-ponte' ou empréstimo intermédio tem como objetivo servir para que a Grécia não falhe os próximos pagamentos, caso dos 3,5 mil milhões de euros que deve pagar ao Banco Central Europeu (BCE) em reembolsos de dívida já a 20 de julho.

- Segundo as estimativas de Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e BCE, o país precisa de sete mil milhões de euros até 20 de julho e de mais cinco mil milhões até meados de agosto.

Lusa

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