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"Oportunidade trouxe o maior líder político ao país para o Governo"

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, afirmou hoje, na posse de Lula da Silva como ministro da Casa Civil, que as "dificuldades" atuais lhe deram "a oportunidade" de ter no seu Governo "o maior líder político" do Brasil.

© Handout . / Reuters

"A sua presença aqui prova que você tem a grandeza dos estadistas e a humildade dos verdadeiros lideres", destacou, acrescentando que também "prova que não há obstáculos à disposição de trabalhar juntos pelo Brasil".

A entrada de Luiz Inácio Lula da Silva mo Governo "mostra como estão e sempre estiveram enganados aqueles que sempre, nos últimos cinco anos e alguns meses, apostaram na nossa separação", acrescentou Dilma Rousseff.

A Presidente falou ainda no "projeto extremamente generoso para o Brasil", que os une e "que olha sobretudo para o seu povo", para os excluídos das riquezas.

Dilma Rousseff referiu ainda que as dificuldades exigem a participação de todos, falando também para a oposição.

Antes de iniciar o discurso, parlamentares interromperam a Presidente com "vaias".

Nas suas primeiras palavras, a chefe de Estado disse que no local estavam os brasileiros "de coragem", sendo interrompida por aplausos, como aconteceu várias vezes ao longo do discurso.

Foram igualmente empossados os novos ministros da Justiça, Eugénio Aragão, da Secretaria de Aviação Civil, Mauro Lopes, e ainda o chefe de Gabinete Pessoal da Presidência da República, Jaques Wagner.

"Eugénio Aragão engrandecerá o Ministério da Justiça" e "reforçará, com o seu perfil, características fundamentais deste ministério, imparcialidade, firmeza e seriedade", disse.

Admitindo que a agenda do Ministério da Justiça está "carregada de grandes desafios", a Presidente pediu ao novo ministro que dedique especial atenção aos "direitos individuais".

Referindo a importância dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam a 5 de agosto, falou para Mauro Lopes, que terá em mãos o estratégico setor da aviação.

"Ao longo da minha vida, eu aprendi a valorizar, a dar extrema importância e a respeitar os meus companheiros de luta e de jornada, pessoas, para mim, muito especiais que têm estado ao meu lado", disse, falando em Jaques Wagner.

A tomada de posse fica também marcada pela ausência do vice-presidente da República, Michel Temer, bem como de outros líderes do Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Os assessores do político, citados pela imprensa, justificaram a ausência, dizendo que a posse de Mauro Lopes, do PMDB, afronta a decisão da convenção nacional do PMDB de não assumir novos cargos no governo Dilma durante o prazo de 30 dias que o partido estabeleceu para decidir se continua ou não no Executivo.

Ao chegar ao local, Lula ouviu várias frases de apoio, como "Lula, guerreiro do povo brasileiro".

No exterior, a Polícia Militar tem sido obrigada a separar manifestantes pró e contra o Governo, de acordo com a rádio CBN, que dá conta de números da Polícia Militar, segundo os quais cerca de 2000 pessoas estão a protestar contra o Executivo e cerca de 300 a favor de Lula.

A tomada de posse decorre em clima de tensão e de protestos um pouco em todo o Brasil, numa altura em que a Presidente Dilma Rousseff arrisca a abertura de um processo de impugnação.

Os manifestantes estão contra a escolha de Lula da Silva, investigado no âmbito da Operação Lava Jato, para ministro, o que confere ao ex-Presidente foro privilegiado, podendo apenas ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

Os protestos acontecem também depois de terem sido divulgadas gravações de escutas de conversas entre Dilma Rousseff e Lula da Silva, onde a Presidente diz ao seu antecessor que mandou alguém entregar o termo de posse do ex-Presidente como ministro, para o caso de ser necessário.

A Polícia Federal diz que as escutas demonstram a tentativa da Presidente de interferir nas investigações da Operação Lava Jato.

Lusa

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