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Congressistas dos EUA pedem que Washington não apoie Governo interino do Brasil

Michel Temer, que assumiu funções a meados de maio, criou um executivo composto apenas por homens brancos

© Ueslei Marcelino / Reuters

Congressistas democratas pediram ao secretário de Estado norte-americano, John Kerry, para não apoiar o Governo interino do Brasil, formado por Michel Temer na sequência da aprovação do impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

O grupo de 40 congressistas do Partido Democrata dos EUA expressou a sua "profunda preocupação" com o julgamento político a que Dilma Rousseff está a ser submetida, frisando que "ameaça as instituições democráticas".

"Pedimos que tome o máximo cuidado nas suas relações com as autoridades interinas do Brasil e que se abstenha de declarações ou ações que possam ser interpretadas como apoio à campanha pelo julgamento político contra a Presidente Dilma Rousseff", lê-se numa carta aberta dos congressistas, divulgada na segunda-feira.

Os políticos norte-americanos alertaram que o processo de afastamento da Presidente tem muitos detratores que questionam a sua base jurídica e que consideram o processo uma luta política.

As razões na base do lançamento de uma campanha contra Dilma Rousseff podem passar por evitar uma investigação de corrupção por parte da Presidente e, simultaneamente, impor uma agenda muito conservadora que foi rejeitada pelos eleitores nas últimas eleições, alertaram.

Os congressistas consideraram ainda que as implicações que uma destituição ilegal poderia ter no povo brasileiro são piores para as mulheres e para os cidadãos de ascendência africana.

Michel Temer, que assumiu funções a meados de maio, criou um executivo composto apenas por homens brancos e transformou o Ministério da Mulher, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos em secretarias sob o Ministério da Justiça, o que gerou críticas por parte de grupos de direitos humanos.

Tem havido uma "tomada de poder por parte de políticos que não foram capazes de ganhar nas urnas" e o Governo dos Estados Unidos deveria "falar contra a farsa antidemocrática" no Brasil, referiu John Conyers, um dos signatários da carta, em comunicado.

Esta é a primeira vez em mais de 20 anos que congressistas dos EUA manifestam preocupação publicamente sobre a política e a qualidade democrática no Brasil.

A tomada de posição surge a onze dias do início dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

"Este é um momento-chave, em que os gestos diplomáticos e as declarações pronunciadas a partir dos Estados Unidos terão consequências reais para o Brasil, o seu futuro como democracia e para todo o mundo", disse a congressista Marcy Kaptur.

"Estamos convencidos de que o Brasil resolverá os seus desafios políticos de forma democrática e através do seu quadro constitucional", disse, por seu turno, um porta-voz do Departamento de Estado, acrescentando que o executivo norte-americano continuará a acompanhar a situação.

O pedido de afastamento de Dilma Rousseff, que tem dividido a população brasileira, será votado pelos senadores na última semana de agosto, depois dos Jogos Olímpicos.

Caso seja aprovado, Dilma Rousseff será afastada definitivamente e o Governo interino assumirá plenamente os destinos do país. Se o pedido for recusado, Dilma Rousseff poderá voltar a assumir a Presidência do Brasil

Lusa

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