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Lula critica senadores por iniciarem "semana da vergonha nacional"

O ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva criticou esta quinta-feira os membros do Senado brasileiro por iniciarem a "semana da vergonha nacional" no dia em que aquele órgão começou o julgamento da Presidente suspensa Dilma Rousseff.

"Hoje, começa o dia da vergonha nacional, o dia em que os senadores começam a rasgar a Constituição do país e o dia em que eles começam a debater a punição de uma mulher inocente, cujo único crime que cometeu foi justamente o de ser honesta", afirmou o ex-chefe de Estado, durante um evento com metalúrgicos em Niterói, no Rio de Janeiro.

Para Lula da Silva, os "senadores que vão votar hoje para Dilma ser impedida, que vão falar mal dela, não estão caçando a Dilma, estão caçando o voto" que os brasileiros lhe deram em outubro de 2014, numa referência às eleições presidenciais.

Lula da Silva também criticou o Governo do Presidente interino, Michel Temer, acusando-o de atropelar a Constituição para tentar chegar ao poder.

O antecessor e mentor político de Dilma Rouseff reforçou que o que o Presidente em exercício e os seus aliados estão a fazer é descobrir "um jeito de chegar ao poder sem precisar de disputar o voto popular, mas apenas ganhar as eleições via golpe do Congresso Nacional".

"Eu não tenho nada pessoal contra o Temer, nada. Eu só queria que ele soubesse que seria digno que, enquanto advogado constitucionalista, ele não aceitasse chegar ao poder pelo golpe", mas por eleições, acrescentou.

O ex-Presidente criticou ainda antigos aliados que se mostraram a favor do afastamento de Dilma Rousseff.

Quanto à hipótese de se candidatar em 2018, o ex-chefe de Estado respondeu: "Vamos ver".

Lula da Silva disse ainda que Michel Temer "não sabe governar e por esse motivo quer promover privatizações".

"O que está em jogo é a tentativa de acabar com o direito desse país de ser grande e de a Petrobras ser a maior empresa de petróleo do mundo", comentou.

Com várias privatizações, o Brasil "vai abrir mão de sua soberania para ficar mendigando favor a outros países ricos", disse ainda

Em Brasília, Michel Temer respondeu aos jornalistas que não estava nervoso com o julgamento de Dilma Rousseff, referindo que se trata de "uma coisa tão natural da democracia".

Dilma Rousseff responde por irregularidades fiscais num processo com contornos mais políticos do que jurídicos.

Se a Presidente suspensa for considerada culpada perderá definitivamente o mandato e o direito a concorrer a cargos públicos eletivos durante oito anos, ficando Michel Temer à frente dos destinos do país até 2018.

Para tal, são precisos os votos favoráveis de 54 dos 81 senadores.

Caso seja considerada inocente, reassumirá automaticamente o cargo.

Lusa

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