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"Provem uma corrupção minha e eu irei a pé para ser preso"

© Paulo Whitaker / Reuters

O Ex-Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou esta quinta-feira a sua inocência no processo criminal da Lava Jato e acusou os procuradores que o envolvem no processo de estarem a tentar afastá-lo da vida pública.

"Provem uma corrupção minha que eu irei a pé para ser preso", disse Lula da Silva, mostrando-se indignado com o facto de os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) o acusarem de ser o líder dos desvios na Petrobras, além de ter recebido diretamente benefícios ilícitos para um apartamento de luxo na cidade do Guarujá.

Esta declaração "é de um cidadão indignado com as coisas que aconteceram e estão acontecendo neste país. Neste país, tem pouca gente com a vida mais pública mais fiscalizada que a minha Eu sinceramente nunca pensei que passaria por isto, nunca tantas pessoas falaram tanto, me achincalharam tanto e divulgaram tantas inverdades conta mim", declarou Lula da Silva.

"Ninguém respeita a lei neste país mais do que eu, ninguém respeita as instituições mais do que eu porque acredito que somente com instituições fortes se garante a democracia. Vou prestar quantos depoimentos forem necessários. Podem-me chamar que eu vou. Uma coisa que eles (investigadores da Lava Jato) têm que aprender é que eu sou um cidadão que conquistei o direito de andar de cabeça erguida", disse o antigo chefe de Estado brasileiro.

Afirmando-se perseguido pelos investigadores da operação Lava Jato e por parte dos media, Lula da Silva disse que hoje o Brasil não vive mais numa lógica normal do processo penal, em que uma acusação só se torna uma certeza depois do julgamento.

Em contrapartida existe uma "lógica da manchete", que consiste em criminalizar e demonizar pessoas pelas manchetes de jornais sem provas.

Para o antigo Presidente, os seus adversários políticos já conseguiram afastar a ex-Presidente Dilma Rousseff e colocar Michel Temer no poder, cassar o mandato Eduardo Cunha que foi presidente da Câmara dos Deputados e que se tornou num incómodo já que investigado por corrupção e, agora, querem um desfecho para concluir o que classificou de uma "novela política".

Para Lula da Silva, o desfecho desta novela seria tirá-lo da vida pública.

Emocionado em diversas partes do seu discurso aos jornalistas, que durou mais de uma hora, o político brasileiro lembrou toda a sua trajetória, elencando também os projetos sociais criados durante o seu Governo e da sua sucessora, a ex-Presidente Dilma Rousseff.

"Tenho consciência de que o meu fracasso teria agradado aos meus adversários, o meu fracasso não teria despertado tanto ódio contra o Partido os Trabalhadores (PT). O que despertou esta ira foi o sucesso do nosso Governo. Promovemos a maior inclusão social da história deste pais, a maior bancarização (inclusão de pessoas no sistema bancário) da história deste país. A maior política de inclusão educacional deste país. Em 12 anos nós colocamos mais jovens na universidade do que eles colocaram em um século", disse.

O ex-Presidente também dirigiu parte do seu discurso para os militantes PT, afirmando que que tem orgulho de ser um dos fundadores.

"Tenho orgulho de ter criado o mais importante partido de esquerda da América Latina. Fomos elegendo prefeitos, vereadores e, com apenas 20 anos de existência, ganhamos as eleições presidenciais neste país. Era uma coisa inesperada", declarou.

Lula da Silva, a sua mulher, Marisa Letícia, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e outras quatro pessoas ligadas à mesma empresa de construção civil foi denunciado pelo MPF, acusados de terem cometidos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

O político brasileiro terá beneficiado de obras num imóvel no Guarujá, no litoral do Estado de São Paulo, feitas pela construtora OAS. Segundo o MPF, as obras de beneficiação foram oferecidas pela empresa como compensação por intervenções do ex-Presidente no esquema de corrupção da Petrobras.

Lula da Silva negou todas as acusações, frisando que não é proprietário do imóvel já que celebrou um contrato de prioridade de compra, que depois não foi concretizado.

Esta não é primeira acusação que corre contra o político brasileiro. Em julho, o juiz Ricardo Leite, da 10.ª Vara da Justiça Federal de Brasília, constituiu o ex-Presidente e outras seis pessoas arguidas por alegadas tentativas de obstrução à justiça na Operação Lava Jato.

Lusa

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