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Costa escreve "carta aos eleitores indecisos"

O secretário-geral do PS, António Costa, escreveu hoje aos eleitores indecisos para sublinhar a importância das eleições legislativas de 4 de outubro, dizendo que "é possível fazer diferente e fazer melhor".

LUÍS FORRA/LUSA

No texto, intitulado "Carta a eleitores indecisos", publicado no site da candidatura, António Costa explica que escolheu este método de se dirigir aos cidadãos porque não terá oportunidade de falar pessoalmente com todos os portugueses ao longo das próximas semanas.

"Por isso, decidi ter uma conversa convosco através desta carta. Proponho-vos que mantenhamos aqui esta conversa, que será feita em vários capítulos, durante os próximos dias", refere, considerando que "a proximidade, o diálogo permanente" são decisivos para criar um laço de confiança com os eleitores.

Na missiva, António Costa salienta que os últimos anos "têm sido muito duros para as pessoas, as famílias e as empresas" e de "grande retrocesso económico e social".

"Feriram-nos na nossa auto estima coletiva, puseram em causa a confiança que depositávamos nas instituições, geraram o sentimento de abandono em muitos territórios, provocaram a descrença no projeto europeu, trouxeram o sobressalto e a instabilidade para o quotidiano, a perda de pensões para os idosos, a precarização para os jovens, a ameaça do desemprego para todos", considera.

Ainda assim, segundo o líder do PS, muitos se interrogam se vale a pena votar, considerando António Costa que "o principal expediente da direita" tem sido "levar as pessoas a admitir a fatalidade, a inevitabilidade, a impossibilidade de mudar".

"Recuso esta visão e este fatalismo sem alternativa. Digo, com convicção e com realismo: é possível fazer diferente e fazer melhor, como mostramos desenvolvidamente nos nossos diferentes textos programáticos", defende António Costa, que elenca quatro razões pelas quais as próximas eleições são decisivas.

"Primeira, porque temos de vencer a depressão, a descrença, a resignação, um sentimento de decadência nacional e reconstruirmos um sentimento de esperança coletiva no nosso futuro comum. Temos de iniciar um novo ciclo, com novos protagonistas e uma nova visão para o país", diz.

Em segundo lugar, António Costa considera que existem duas opções de fundo que estão em confronto nas legislativas: "Sobre o nosso modelo de desenvolvimento -- assente no conhecimento e inovação, contra a precarização e o empobrecimento - e sobre o nosso modelo social -- na garantia da sustentabilidade da segurança social, na defesa do SNS [Serviço Nacional de Saúde] e da valorização da escola pública, contra a ameaça da privatização dos serviços públicos e da destruição do Estado social".

Por outro lado, o líder do PS considera que é necessário "virar a página da austeridade para relançar a economia, criar emprego de qualidade e com futuro" e sanear as finanças públicas.

Por último, António Costa diz ser necessário que Portugal reassuma "uma postura ativa na Europa, sem submissão nem aventureirismos", que permita retomar a convergência e fortalecer a posição do país no euro.

"É sobre estas quatro questões que vos quero falar nos próximos dias", refere, despedindo-se na missiva com um "até amanhã".

Lusa

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