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Marcelo sucede a Cavaco

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O que disse Cavaco Silva desde 2006

Seleção de frases do Presidente da República, Cavaco Silva, desde 2006:

© Rafael Marchante / Reuters

ANO DATA FRASE
2006 22 de janeiro, após saber o resultado das eleições presidenciais "De mim, o Governo legítimo de Portugal, como os demais órgãos de soberania poderão esperar um espírito leal, de respeito, de cooperação e entreajuda."
9 de março, tomada de posse como Presidente da República "De acordo com a leitura que faço dos poderes presidenciais inscritos na Constituição, considero que o Presidente da República deve acompanhar com exigência a ação governativa e deve empenhar-se decisivamente na promoção de uma estabilidade dinâmica no sistema político democrático."
2007 25 de abril "Temos de deixar aos nossos filhos e aos nossos netos um regime em que sejamos governados por uma classe política qualificada, em que a vida política se paute por critérios de rigor ético, exigência, competência, em que a corrupção seja combatida por um sistema judicial eficaz e prestigiado."
11 de julho "Todos nós temos que ter cuidado com as nossas atitudes para que a nossa democracia tenha mais qualidade. Talvez alguns agentes de poderes públicos devam ter cuidado com as suas atitudes."
9 de outubro "O grande desafio que a economia portuguesa neste momento enfrenta é o da reaproximação aos níveis médios de desenvolvimento dos 15 países mais ricos da União. Portugal não pode resignar-se às taxas de crescimento económico bastante baixas que se têm verificado nestes primeiros anos do século XXI."
2008 15 de maio "Sempre disse que seria muito difícil a Portugal escapar aos efeitos negativos da crise financeira internacional. Neste momento a atenção tem que vir de forma particular para aqueles que são prejudicados, que são atingidos pela crise, em particular os que perdem o seu emprego e aqueles que têm mais dificuldade para, face ao aumento dos preços dos produtos alimentares, assegurarem uma alimentação condigna."
18 de outubro "O Banco de Portugal e os bancos portugueses têm todas as condições necessárias para enfrentar qualquer dificuldade que possa surgir."
2009 3 de junho "Recentemente foi noticiado que eu tinha tentado esconder que da minha carteira de títulos e da minha mulher faziam parte - há muitos anos, muitos anos antes de ser Presidente da República - ações da SLN. Não é verdade. E se eu digo que não é verdade é porque estou perfeitamente seguro que o posso dizer. (...) Eu e a minha mulher, antes de eu estar nesta posição, quando éramos apenas professores, não tínhamos as nossas poupanças debaixo do colchão."
28 de agosto "Portugal atravessa um momento muito grave. Os candidatos a deputados e os partidos políticos devem concentrar a sua atenção sobre os grandes problemas do país, como o desemprego, a pobreza ou o endividamento, insegurança, competitividade ou cuidados de saúde."
29 de setembro, sobre notícias que davam conta de alegadas escutas no Palácio de Belém "Será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?"
2010 1 de janeiro, mensagem de Ano Novo "Os portugueses compreenderiam mal que os diversos líderes políticos não se concentrassem na resolução dos problemas das pessoas e que não empenhassem o máximo do seu esforço na realização de entendimentos interpartidários."
25 de abril "A sociedade portuguesa é hoje mais justa do que aquela que existia há 36 anos. No entanto, persistem desigualdades sociais e, sobretudo, situações de pobreza de exclusão que são indignas da memória dos que fizeram a revolução de Abril."
13 de julho "Não vale a pena recriminar as agências de 'rating', o que nós devemos fazer é o nosso trabalho para depender cada vez menos das necessidades de financiamento externo."
28 de agosto "A atividade do Presidente da República é muito intensa mesmo em férias."
2011 19 de janeiro, durante a campanha eleitoral para o segundo mandato "Tenho muito pouco apetite para utilizar a bomba atómica [dissolução da Assembleia da República]."
23 de janeiro, discurso de vitória na noite das presidenciais "Os vencidos são os políticos e seus agentes, que preferem o caminho da mentira, das calúnias, dos ataques sem sentido ao debate de ideias sobre o futuro de Portugal."
9 de março, tomada de posse para um segundo mandato em Belém "Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos."
28 de junho "Já tive ocasião de dizer e tem sido muito repetido que têm sido tempos muito difíceis e não tenhamos ilusões, e os portugueses sabem bem disso, e se bem se recordam há talvez mais de dois anos que disse que Portugal se aproximava de uma situação explosiva. Lamentavelmente chegámos a essa situação explosiva."
21 de setembro, durante uma visita aos Açores "Ontem eu reparava no sorriso das vacas. Estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante."
19 de outubro "[A suspensão dos subsídios de férias e de Natal da administração pública e dos pensionistas é] a violação de um princípio básico de equidade fiscal. Mudou o Governo, mas eu não mudei de opinião. Já o disse anteriormente e posso dizê-lo outra vez: é a violação de um princípio básico de equidade fiscal."
2012 20 de janeiro "Tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas porque, como sabe, eu também não recebo vencimento como Presidente da República."
23 de janeiro, declaração escrita à Lusa, em resposta às questões colocadas sobre as declarações anteriores sobre as suas pensões "Não foi obviamente meu propósito eximir-me aos sacrifícios que os portugueses estão a fazer nos dias de hoje, tendo mesmo insistido que o meu caso pessoal não estava em questão."
29 de fevereiro, TSF "O Governo tem demonstrado uma grande determinação e até diria uma grande coragem para cumprir as metas que foram de facto estabelecidas."
9 de março "O anúncio do 'PEC IV' apanhou-me de surpresa. (...) Tratou-se de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia. O Presidente da República, nos termos constitucionais, deve ser informado acerca de assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do País."
22 de novembro "Todos sabem que o silêncio do Presidente da República é de ouro, hoje a cotação do ouro foi 1.730 dólares por onça, uma onça são 31 gramas, mais 1,7% do que a cotação do ouro naquele dia de setembro em que a generalidade dos portugueses ficou a saber o significado da conjugação de três letras do alfabeto português: tê, ésse, u (TSU) '."
2013 1 de janeiro, Mensagem de Ano Novo, justificando o envio do Orçamento do Estado para o Tribunal Constitucional "[Em 2013], todos serão afetados, mas alguns mais do que outros, o que suscita fundadas dúvidas sobre a justiça na repartição dos sacrifícios."
5 de abril, Expresso "Faltam-me algumas qualidades atribuídas aos políticos. Não tenho vocação para a intriga, nem para a sedução de jornalistas; não tenho vocação para os jogos político-partidários."
6 de março, sobre a manifestação realizada a 2 de março "Uma manifestação com aquela dimensão, as vozes que se fizeram ouvir, não podem deixar de ser escutadas."
6 de março "Eu tenho uma experiência que mais ninguém tem: ninguém foi primeiro-ministro 10 anos e acumulou com sete anos de Presidente da República. Eu tenho uma informação que mais ninguém tem. Portanto, sei muito bem que um Presidente da República que busca protagonismo mediático não tem qualquer decisão ou qualquer influência sobre o processo de decisão política. Isso sei eu muito bem."
2014 5 de maio, sobre a saída de Portugal do programa de ajustamento sem programa cautelar "O que mais me vem à memória, no dia de hoje, são as afirmações perentórias de agentes políticos, comentadores e analistas, nacionais e estrangeiros ainda há menos de seis meses, de que Portugal não conseguiria evitar um segundo resgate. O que dizem agora?"
26 de setembro "Devemos confiar, e eu não tenho nenhuma informação em contrário, que a autoridade de supervisão nacional, o Banco de Portugal, atuou da melhor forma para defender o interesse nacional [no caso Banco Espírito Santo]."
26 de novembro "Quem nos observa verifica que as instituições democráticas estão a funcionar com toda a normalidade no nosso país, não me parece que vá ocorrer uma alteração da imagem de Portugal no estrangeiro [por causa da prisão do ex-primeiro-ministro José Sócrates]."
2015 7 de janeiro "Depois de três anos em que se exigiram sacrifícios pesados aos portugueses, (...) Portugal não pode prescindir, após o próximo ato eleitoral, de uma solução governativa sólida, estável e coerente."
11 de fevereiro "Quem diria, há um ano, que Portugal não precisava de um segundo resgate, que Portugal não precisava de um programa cautelar e quem se atrevia a antecipar que Portugal ia pagar antecipadamente ao FMI os empréstimos que foi obrigado a contrair."
22 de outubro, no discurso em que indigitou Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro "Se o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o País precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas."
16 de novembro "Eu como primeiro-ministro de um Governo estive cinco meses em gestão. (...) Vá ver nos dois casos de crises anteriores que aconteceram - um foi em 1987 e um em 2009 [sic] - quantos dias esteve o Governo em gestão, o que é que fez o Presidente da República de então e quais foram as medidas importantes que esse Governo de gestão teve que tomar."
2016 1 de janeiro, mensagem de Ano Novo "Vivemos um tempo de incerteza. Temos o dever de defender o modelo político, económico e social que, ao longo de décadas, nos trouxe paz, desenvolvimento e justiça."
28 de janeiro, em almoço oferecido a Marcelo Rebelo de Sousa "Senhor Presidente eleito, seja muito bem-vindo a esta casa, que em breve será sua."
16 de fevereiro "Hoje ao terminar os meus mandatos, ciente das dificuldades que atravessamos (...) retomo cada uma destas palavras e reafirmo a mesma convicção. (...) Marca-nos a ideia de que somos agentes da História, senhores do nosso destino. Somos um povo capaz de superar as dificuldades nas horas de prova."

Lusa

  • Os 25 vetos de Cavaco Silva

    Marcelo sucede a Cavaco

    Em dez anos como Presidente da República, Cavaco Silva usou o veto político 25 vezes, tendo as questões de género marcado a 'estreia' e a 'despedida' dos diplomas devolvidos ao parlamento pelo chefe de Estado. Desde que tomou posse a 9 de março de 2006, Cavaco Silva vetou politicamente 25 diplomas, 21 dos quais da Assembleia da República e quatro do Governo, tendo apenas uma das recusas de promulgação sido relativamente a leis dos executivos de Pedro Passos Coelho e as restantes três dirigidas a José Sócrates. O primeiro veto de Cavaco Silva aconteceu três meses após iniciar funções, com a Lei da Paridade, e o último já depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter sido eleito para lhe suceder em Belém e incidiu nas alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG) e adoção por casais do mesmo sexo.

  • Manuel de Arriaga ganhava 18 mil reis em 1911
    1:32

    Marcelo sucede a Cavaco

    Desde o primeiro Presidente da República muito mudou quanto ao salário do inquilino do Palácio de Belém. Manuel de Arriaga ganhava 15 vezes mais que um deputado, Ramalho Eanes teve de vender um apartamento para enfrentar as despesas, Cavaco Silva abdicou do ordenado preferindo receber uma reforma mais choruda.

  • Os anos de Cavaco Silva
    9:31

    Marcelo sucede a Cavaco

    Cavaco Silva termina a sua intervenção na vida política com mais de duas décadas. Foi o único primeiro-ministro de Portugal a conquistar duas maiorias absolutas e o primeiro Chefe do Estado oriundo do centro-direita. O legado de Cavaco Silva, o político que nunca se reviu como político, é o tema da Reportagem Especial.