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Mário Soares 1924-2017

Mário Soares 1924-2017

Mário Soares 1924-2017

Imprensa brasileira diz que Soares guiou Portugal rumo à UE e não cedeu à tentação soviética

A Folha de S. Paulo, jornal de maior circulação do Brasil, publicou este domingo uma análise em que retrata Mário Soares, que morreu no sábado aos 92 anos, como figura central da adesão de Portugal ao projeto europeu.

O texto - assinado pelo sociólogo Mathias de Alencastro - faz um apanhado da atuação política de Mário Soares desde a década de 1950, frisando que quando regressou do exílio para Portugal, em 1974, tornou-se um líder pró-europeu em oposição a Álvaro Cunhal que era ligado a Moscovo.

"Deslumbrado com o resto do mundo depois de décadas de censura e de isolamento, o Portugal pós-fascista e pós-colonial encontrava-se numa encruzilhada entre dois caminhos: a inserção no projeto europeu e a tentação pró-soviética", aponta o texto.

A análise continua dizendo que "depois de três anos intensos, marcados pelo verão quente de 1975 quando um golpe de inspiração comunista quase se concretizou, (Mário) Soares triunfou, e Portugal deu início a uma das fases mais prósperas da sua história: a integração em passo acelerado na União Europeia".

O texto lembra que apesar deste trunfo político, Mário Soares era considerado uma figura controversa em Portugal já que parte da população o responsabilizou pela descolonização.

" Os "retornados" - milhares de portugueses forçados a regressar depois de nascerem ou passarem grande parte da vida nas colónias - formam ainda hoje um grupo visceralmente anti-Soarista", indica.

O jornal brasileiro também menciona a tentativa fracassada de Mário Soares voltar à Presidência em 2006, aos 81 anos, facto que o teria impedido de sair da política pela porta grande.

"A sua campanha, dirigida aos jovens eleitores, foi ridicularizada, e o seu desempenho eleitoral foi pífio, com apenas 14% dos votos. Mas esse episódio embaraçoso não foi suficiente para manchar seu legado", lembra.

O texto termina com elogios a Portugal, um dos únicos países europeus onde o neofascismo não tem prosperado e onde o sucessor de Mário Soares no Partido Socialista, António Costa, selou uma aliança histórica com os comunistas, encerrando o conflito aberto depois da Revolução dos Cravos.

"Um panorama animador para um país que, em 1974, caiu nas mãos de (Mário) Soares em estado de calamidade militar, social e política", conclui.

Mário Soares morreu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, a partir de segunda-feira.

O corpo do antigo Presidente da República vai estar em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos a partir das 13:00 de segunda-feira, e o funeral de Estado realiza-se a partir das 15:30 de terça-feira, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

Lusa

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