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Expresso só revela nomes dos jornalistas envolvidos nos Panama Papers após conclusão da investigação

A direção do Expresso esclareceu hoje que os nomes dos jornalistas envolvidos numa investigação judicial relacionada com o designado "saco azul do GES" só serão revelados quando o trabalho de investigação estiver concluído, "mas nunca antes disso".

SIC

A nota editorial, assinada pelo diretor, Pedro Santos Guerreiro, e publicada hoje no site do Expresso, surge depois do Sindicato dos Jornalistas (SJ) ter pedido ao jornal para divulgar o nome dos jornalistas envolvidos naquela investigação.

"O trabalho do Expresso cruza duas investigações em curso: a investigação à ES Enterprises, mais antiga, e a investigação internacional Panama Papers, que trouxe novos dados", refere o Expresso, salientando que a notícia que motivou o email do SJ "resulta da investigação autónoma à ES Enterprises" e "não está enquadrada no consórcio internacional de jornalistas de investigação aos Panama Papers".

Aliás, "a lista de alegados pagamentos não está nos Panama Papers. Está no Ministério Público. E ela resulta de várias fontes, incluindo as autoridades suíças", refere o Expresso.

"O critério editorial do Expresso em relação à existência de jornalistas na lista foi, é e será rigorosamente o mesmo usado em relação a todas as profissões referidas. Retirar qualquer uma delas seria fazer uma diferença de classe. Assim escrevemos sobre a existência de mais de uma centena de nomes que constam nessa lista de várias páginas, que 'incluem várias pessoas influentes', 'políticos', 'pagamentos durante vários anos a gestores do BES e da Portugal Telecom', 'ex-gestores, autarcas, funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas'", adianta.

O diretor do Expresso salienta que "o critério foi, é e será sempre idêntico em relação à revelação de nomes".

Ou seja, "só quando o trabalho jornalístico de recolha de fontes, confirmação, contraditório e audição de partes atendíveis o permite publicamos nomes. De jornalistas ou de quaisquer outras pessoas. Tem sido esse o critério sempre nas investigações em causa: todos os nomes têm sido publicados logo que o trabalho de confirmação esteja concluído, mas nunca antes disso", salienta.

"Sabemos que o assunto é sensível e ele foi debatido e ponderado internamente. As pressões externas para publicação de nomes têm sido grandes, o que é compreensível tendo em conta a vontade de ser informado e sabendo que quem lê não conhece os pormenores da investigação, nem lhes podem ser revelados, por implicarem segredo, reserva e proteção de fontes", prossegue.

Pedro Santos Guerreiro refere que "informar com rigor não é publicar listas de nomes mesmo quando a existência dessa lista esteja confirmada, é analisá-los um a um e fugir à gratuitidade (e irresponsabilidade) de simplesmente arrolar nomes" e "o Expresso não deixa que os seus critérios editoriais sejam alterados por pressões".

"Como sempre fizemos até aqui, a informação será publicada no momento em que o trabalho de investigação estiver concluído, ainda que isso implique sujeitar-nos à análise crítica de alguns, que respeitamos, mas que não nos condiciona", remata.

O Expresso recorda que há ano e meio que está a investigar a ES Enterprises, a sociedade 'offshore' [paraíso fiscal] do Grupo Espírito Santo (GES), mais conhecida como "saco azul do GES" desde que o Público, em 2014, revelou a sua existência (a sociedade operou durante mais de 20 anos em segredo).

Na terça-feira, o SJ tinha instado a que fossem relevados os nomes dos jornalistas, "de forma a poder atuar em conformidade nos casos que, e se, vierem a ser provados" e pedia uma "clarificação, realçando que a credibilidade do jornalismo é fundamental em democracia".

Na edição de sábado, o jornal referiu que o Ministério Público tem em sua posse uma lista de nomes alegadamente envolvidos em pagamentos da ES Enterprises. Dessa lista constam nomes de jornalistas, segundo o Expresso.

As novas notícias sobre "o saco azul do BES" têm sido divulgadas pelo Expresso e pela TVI no âmbito da investigação conhecida como "Papeis do Panamá".

Lusa

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    SIC