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Movimento cívico quer Sócrates a aguardar julgamento em liberdade

O Movimento Cívico José Sócrates, Sempre já está oficialmente formado e reúne, à data desta quinta-feira, cerca de 400 membros, exigindo os seus fundadores que o ex-primeiro-ministro, que dizem ser "um preso político", aguarde o julgamento em liberdade.

(Arquivo)

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Francisco Seco / AP

Quatro dos cinco elementos do núcleo fundador deste movimento cívico apresentaram hoje, numa conferência de imprensa no Porto, as motivações que os levaram a constituir este grupo, rejeitando justiça e leis "com dois pesos e duas medidas" e considerando que a prisão preventiva de José Sócrates "coloca em perigo a liberdade, a democracia e os valores de Abril".

Independentemente das motivações de cada um dos fundadores, há uma exigência que, segundo Luísa Lopes os une: "O que todos nós queremos é que José Sócrates aguarde o julgamento em liberdade. Não faz sentido prender para investigar".

"Consideramos Sócrates como um preso político e num Portugal democrático não pode haver presos políticos", defendem, condenando o facto da fuga ao segredo da justiça ser "assustadora e não encontra responsáveis".

Oriundos de diferentes cidades do país, os fundadores - grupo do qual fazem parte duas militantes de base do PS e um ex-militante do PCP - garantem que só se conheceram numa primeira iniciativa de solidariedade com José Sócrates organizada por José António Pinho, tendo a ideia da formalização do movimento surgido após a vigília de 14 horas realizada à porta do Estabelecimento Prisional de Évora no dia 28 de fevereiro.

O movimento cívico critica ainda "a manipulação de alguns órgãos de comunicação social em todos este processo", considerando que este facto "tem levado a um julgamento em praça pública", o que vai "contra os direitos de qualquer cidadão".

Luísa Lopes garantiu ainda que este grupo nasceu de forma espontânea e "não tem qualquer apoio, especialmente financeiro", de nada nem de ninguém, afirmando que as pessoas que os acompanham - que neste momento são cerca de 400 - são oriundas do povo.

José António Pinho - que se assumiu como um amigo de José Sócrates com quem passou férias e cujos filhos andaram ao colo do ex-primeiro-ministro - manifestou-se contra "a tortura planificada" de que está a ser vítima, considerando que "estar preso sem tempo certo é uma tortura que leva muitas vezes à loucura" e que Sócrates "é perigoso para quem não gosta de democracia".

Na opinião de José António Pinho, o ex-governante "vai voltar mais forte e com mais charme" e "vai sair da prisão de cabeça erguida".

João Gomes é perentório ao afirmar que acredita na inocência de José Sócrates, considerando que "há um movimento político oculto que estás por trás deste processo", uma vez que há interesse em "destruir politicamente" o ex-primeiro-ministro e "também apanhar o PS", naquilo que diz ser uma "estratégia política de forças ocultas".

Para 28 de março está marcada a próxima ação deste movimento, que vai levar à porta do estabelecimento onde está preso preventivamente Sócrates a "Primavera em Évora", com música e poesia.

O Movimento Cívico José Sócrates, Sempre pretende ainda criar, em breve, uma Comissão de Honra uma vez que já receberam alguns contactos de pessoas politica e socialmente relevante a darem apoio ao grupo, sendo ainda cedo para falar de nomes.

Lusa
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