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Tragédia em Pedrógão Grande

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Comandante mandou suspender fita do tempo na madrugada de 18 de junho em Pedrógão

Miguel Vidal

O atual comandante operacional nacional da Proteção Civil, Albino Tavares, ordenou, na madrugada de 18 de junho, aos operadores de comunicações para que não registassem mais alertas na fita do tempo do incêndio de Pedrógão Grande, concluiu o relatório.

"É, contudo, excecional que tenha havido uma decisão do COS [comandante das operações de socorro], 2.º CONAC [comandante operacional nacional] Albino Tavares, às 04h56 de 18 de junho, ordenando ao chefe sala do CDOS [Comando Distrital de Operações de Socorro] de Leiria que os operadores de telecomunicações não deveriam registar mais informações na fita de tempo no SADO [Sistema de Apoio à Decisão Operacional] acerca dos alertas que ali recebiam", refere o relatório da comissão independente divulgado esta quinta-feira.

"A partir daquela hora, todos os alertas deveriam ser comunicados ao PCO [Posto de Comando Operacional] por telefone, e só após validação do mesmo seriam ou não inseridos na fita do tempo do SADO", adianta a comissão nomeada para analisar os fogos de junho na região Centro.

Na altura do incêndio de Pedrógão Grande, Albino Tavares era segundo comandante operacional nacional, estando atualmente a assumir interinamente as funções de CONAC, depois de Rui Esteves se ter demitido deste cargo em setembro.

Durante a audição junto da comissão técnica independente, Albino Tavares justificou a sua decisão com "o excesso de informação que era produzida a partir do CDOS de Leiria".

No entanto, os peritos consideram que este procedimento "contraria o Sistema de Gestão de Operações, bem como toda a doutrina instituída relacionada com o funcionamento do SADO, que impõe que todas as situações críticas devem, até de forma intempestiva, ficar registadas no sistema, independentemente da determinação operacional associada".

O relatório da comissão técnica independente destaca também que "esta determinação do COS pode subtrair à fita do tempo do SADO informações que poderiam ser importantes para a compreensão dos acontecimentos na noite de 17 para 18".

"Pode até admitir-se que, para além das falhas de comunicação provocados pela rede SIRESP, pudessem ter havido pedidos de ajuda veiculadas através de chamadas efetuadas para o PCO, mas que não teriam sido registadas. Por este motivo, as informações registadas podem ter impedido que se conheça completamente o que se passou naquele período de tempo, introduzindo uma exceção no procedimento de que deveria ter sido executado de forma inquestionável", sustenta o documento.

O relatório entregue no parlamento analisa fogos ocorridos entre 17 e 24 de junho na região Centro.

O fogo que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho só foi extinto uma semana depois, tal como o incêndio que teve início em Góis (distrito de Coimbra). Os dois fogos, que consumiram perto de 50 mil hectares em conjunto, mobilizaram mais de mil operacionais no combate às chamas.

O incêndio que deflagrou Pedrógão Grande, tendo alastrado a vários municípios vizinhos, causou 64 mortos e mais de 200 feridos.

Lusa

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