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Web Summit

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Web Summit 2016

"Estar na Web Summit foi dizer em empreendedorês: estamos vivos, estamos aqui!"

Martim Mariano

Gestor de redes sociais

Jornalista

No seguimento da entrevista à blogger Sara Riobom, que conhecemos durante a WebSummit, trazemos a história de outro jovem português (que não trabalha sozinho) que esteve no evento, em Lisboa, a promover a sua startup. Quis o acaso e as peripécias do direto e do destino que acabasse por receber um visitante ilustre e especial no seu stand: nada mais nada menos do que o primeiro-ministro, António Costa. Recentemente estiveram no Shark Tank, onde conseguiram captar a atenção de um dos “tubarões” do programa da SIC. Mas o que queremos saber é…

Quem é o João Cortinhas?

Ui... vou aproveitar para citar Tony Carreira e dizer que sou um eterno “sonhador”. Embora cada vez mais me assuma como um sonhador a part-time e um fazedor a full-time. Estou a aproveitar os melhores anos da minha vida, com mais energia, com menos obrigações financeiras e mais de capacidade de trabalho para realizar os meus sonhos. O João é, acima de tudo, alguém que um dia acordou e disse que não queria viver mais os sonhos dos outros e que queria seguir sonhos próprios.

Na escola empre fui um aluno modesto, que, não poucas vezes, passou de ano à "rasquinha". A universidade foi apenas um meio para atingir um fim, porque queria era mesmo entrar numa grande empresa e chegar a CEO dessa empresa. Não precisei de muito tempo para perceber que não iria lá chegar.
Foi aí que tomei a decisão de criar a minha própria startup e trilhar o meu próprio caminho.

João Cortinhas, à esquerda, durante a WebSummit 2016

João Cortinhas, à esquerda, durante a WebSummit 2016

Como se dá este interesse pela área das Redes Sociais?

Não dá para fugir ao tema dos Social Media, está por todo o lado, e a verdade é que fomos levados mais para este caminho, à medida que fomos validando alguns "guesses" e percebendo que poderia estar aqui uma oportunidade.

Porquê Swonkie? O nome tem alguma história por trás?

O nosso principal objetivo era ligar as várias redes sociais, e definimos o primeiro nome como Switch On Network, e foi com esse nome que desenvolvemos o nosso primeiro protótipo. Durante a nossa fase Alfa, encurtámos o nome, para uma espécie de acrónimo, Swonk. Depois de termos validado um conjunto de hipóteses do nosso produto e decidirmos avançar, queríamos arranjar um nome mais comercial, mais sexy e que tivesse um Share of Mind maior nos utilizadores. Tínhamos uma comunidade de bloggers, e pedimos várias sugestões de nomes, mas curiosamente, as nossas Alfas disseram que não queriam deixar de ser Swonkies (derivação de Swonnk), e reparámos que afinal, se já tínhamos uma comunidade de Swonkies, a nossa plataforma só poderia ter um nome: Swonkie.

Fala-nos da Swonkie: como nasceu a ideia?

Despedi-me de um emprego que achava de sonho, casei e fui viver com a minha esposa para Inglaterra que já lá estava a trabalhar como enfermeira. Não sabia o que iria fazer, mas sabia uma coisa: Não queria voltar tão cedo a trabalhar nos sonhos dos outros. Passei um par de meses meio perdido, a ler, a testar, a estudar... Pela primeira vez em 5 anos sentava-me no PC para não trabalhar. Comecei a testar as apostas desportivas, e criei um blog para relatar o que fazia e partilhar a experiência nas redes sociais. Procurei uma ferramenta que me ajudasse a fazer a gestão do meu blog para as redes sociais e me ajudasse a criar conteúdo, e não encontrei uma solução.

Falei com outros bloggers e perguntei-lhes se veriam com bons olhos uma plataforma que permitisse agregar e espalhar o conteúdo produzido para as várias redes sociais em que estão presentes. Fui tendo respostas muito interessantes e assim, de validação em validação, nasceu o Swonkie.
Só que faltava o mais importante: A equipa! Foram 8 meses, com entradas e saídas de pessoas, até encontrar o Daniel. E foi aí começamos a construir o que é hoje o Swonkie.

Onde funciona a vossa empresa?

Atualmente estamos divididos entre Vila Nova de Famalicão e Braga, onde temos espaços disponíveis para a nossa equipa trabalhar. São dois locais que apostam muito no empreendedorismo e conseguimos aproveitar para fazer muitas sinergias. Uma Startup não pode estar numa garagem, uma startup tem de estar num HUB de empreendedorismo onde as coisas acontecem. Até podemos demorar mais tempo em viagens, mas aprendemos muito mais.

Como defines a tua empresa e como te defines enquanto empresário?

Ainda hoje, quando tenho de preencher um formulário em qualquer sítio e tem lá o campo profissão, fico sem saber o que escrever. Não me considero um empresário, muito honestamente, ou pelo menos na definição de empresário mais corriqueira. Temos uma equipa, focada em construir um produto, que se diverte imenso a fazer isto, (são 20:55 e estamos os quatro no gabinete a trabalhar) e isso só é possível porque nos divertimos muito. A nossa média de idades é de 20 anos (sendo que eu já tenho 30, imagine-se a idade dos outros membros). Somos um grupo de gente nova que trabalha incansavelmente, gente que vibra e só assim consegues ter união em torno de uma ideia, de um projeto.

A plataforma Swonkie

A plataforma Swonkie

Vivendo em Londres. Como é um dia na vida de João Cortinhas?

Numa palavra: Skype. Muito Skype mesmo. É a primeira aplicação que abro depois de consultar o e-mail. A falar com a equipa, a definir prioridades, a falar com utilizadores (gasto 50% do meu tempo a falar com utilizadores da nossa plataforma (a perceber o que fazem, como fazem e quando fazem). Depois o tempo que sobra é gasto a pesquisar, ouvir, ler, ver tudo o que está acontecer, para não nos escapar nada, para não perdermos nenhuma oportunidade.

Dá para viver de uma startup ligada às redes sociais, ou tens outros projetos que ajudam a “pôr o pão na mesa”?

Há duas formas de levar isto, em full time ou part time. Quando comecei, e com dificuldades em ter uma equipa fixa, a viver esta aventura, a respirar este sonho, pensei várias vezes em arranjar um part-time e sempre que o ponderei, a minha esposa dizia-me: "Estás a pensar em arranjar um trabalho porquê? Não acreditas a 100% nisto para quereres dividir o teu tempo?" E isso motivava-me a continuar. Após a angariação de capital, tens um desafio. Deverão os fundadores, os “idiotas”, ser remunerados? Não há respostas certas. No nosso caso preferimos canalizar esse possível salário para investir no crescimento do projeto. No futuro? Logo veremos. Neste momento? Não ganhamos dinheiro com isto.

Até onde pode chegar a Swonkie? Ou melhor, onde vês a Swonkie daqui a 5 anos?

A resposta que gostaria de dar seria ver o Swonkie como mais um unicórnio português, uma plataforma líder na área de gestão de Social Media e uma das melhores empresas no mundo para construir uma carreira. Isso era realmente "cool". Mas depois acordei… a verdade é que numa startup tem mais importância o próximo mês ou meses do que os próximos anos. Claro que devemos ter uma estratégia, uma visão muito clara de para onde queremos ir e como queremos ir, mas isso dura até colocares o teu produto no mercado. Por isso, nos próximos 6 meses, acreditamos que o Swonkie será um produto muito melhor, e com bases muito sólidas para conseguirmos planear os próximos dois anos de uma forma mais consciente.

Com tanta variedade de serviços e plataformas de agendamento de conteúdo para as redes, o que faz da Swonkie a plataforma certa?

O mercado das redes sociais é gigante, e isto permite-te não avaliar o potencial pela quantidade, mas pela qualidade, pois consegues segmentar vários nichos de mercado, nichos avaliados em milhões de utilizadores, e que podem ter muito valor.

Apesar da concorrência no mercado de plataformas de gestão de redes sociais, a nossa plataforma tem esse nicho de mercado muito bem definido: bloggers e criadores de conteúdo.

Nesse vértice, somos a única plataforma que permite a um blogger executar todos os passos que compõem a publicação de um determinado conteúdo, sem sair do site em que está e repetir a publicação em cada uma das plataformas que quer atingir.
As plataformas de gestão de redes sociais que estão no mercado, centram-se apenas na partilha de conteúdo, enquanto o Swonkie começa pelo mais importante, a criação de conteúdo.

A plataforma Swonkie em algumas das suas funcionalidades

A plataforma Swonkie em algumas das suas funcionalidades

Também partilhas da opinião de que as startups, na sua grande maioria, estão condenadas ao insucesso? Uma questão de respostas não certas - o que é o insucesso.

Primeiro é preciso definir o que é sucesso ou insucesso. Sucesso não tem de ser obrigatoriamente construir uma startup para ser o próximo Facebook.
Há uns tempos li algo do género: "Um empreendedor que falhou não significa que não tenha encontrado respostas para os problemas, simplesmente não encontrou a resposta certa para esse problema".

Pensemos nisto da seguinte forma: É justo dizer-se que um empreendedor que criou uma startup, reuniu uma equipa, trabalhou meses sem vencimento, angariou utilizadores e que um dia de uma forma consciente e no fim decidiu que todo este investimento deixou de ser viável, mas retirou imensas aprendizagens, liderou um projeto, inspirou uma equipa a segui-lo atrás de um sonho, foi mal sucedido? O conceito de insucesso é algo que nos foi imposto por determinadas métricas, valores ou status. Eu prefiro pensar pelo lado oposto. Acredito que a maioria das startups (e seus fundadores) estão condenados ao sucesso.

O que é essencial para se vingar enquanto empresário na área das tecnologias de informação/webservices?

Tens de ter as melhores pessoas contigo. Equipa será a palavra principal para se vingar ou não com um determinado produto no Mercado. Enquanto CEO tento-me rodear de pessoas complementares e melhores do que eu, que acrescentem valor em várias áreas, para que eu, com a minha visão do produto, consiga tomar decisões racionais (aprendizagens passadas) e nem sempre emocionais (feelings).

Como é que surgiu o convite para estarem presentes na WebSummit?

Quando soubemos que o evento iria acontecer em Portugal ficámos logo com muita vontade de fazer parte de uma coisa desta dimensão. Mas não tínhamos a mais pequena ideia de que conseguiríamos chegar até essa fase. No entanto, decidimos arriscar, fizemos uma entrevista com a equipa, fomos aprovados e depois foi preparar a presença.

A vossa participação na WebSummit fica inquestionavelmente marcada pela conversa com o primeiro-ministro. Alguma vez pensaram que aquilo vos podia acontecer?

Não, de todo. Podíamos imaginar muita coisa, mas nunca no momento em que estaríamos apresentar o Swonkie estaria a passar o PM António Costa mesmo à nossa frente, e que acabaria por apadrinhar e fazer parte do nosso lançamento em direto. Foi a cereja em cima do bolo. Incrível, mesmo!

O primeiro-ministro António Costa passou pelo stand da Swonkie na WebSummit e falou com João Cortinhas

O primeiro-ministro António Costa passou pelo stand da Swonkie na WebSummit e falou com João Cortinhas

Dois meses depois, o que mudou na vossa vida? Há perspetivas de negócios saídas de contactos feitos no evento?

A primeira coisa que aprendemos com o WebSummit, e ao contrário do que está anunciado, é que aquilo não dura apenas três dias, mas sim um ano inteiro.
O WebSummit 2016 vai durar até ao evento de 2017. Estamos em fase de desenvolvimento e conversações com os interlocutores responsáveis e com gente que se mostrou muito interessada na plataforma e nas suas potencialidades.

O que é que destacas de mais positivo na participação da Swonkie na WebSummit?

Anunciar o nascimento de um novo produto, de uma startup, num espaço onde circulam 50.000 pessoas é sempre positivo. De repente tens pessoas de quem nunca ouviste falar a quererem conhecer o teu produto. És bombardeado por todo o lado. Falas e falas e falas. Explicas o produto 1000 vezes e nunca te cansas. Claro que o apadrinhamento do PM foi importante, mas todo o networking que fizemos foi imensamente positivo. Estar no WS foi dizer em empreendedorês: estamos vivos, e estamos a fazer coisas!

A equipa Swonkie na WebSummit

A equipa Swonkie na WebSummit

No final de 2016 o Swonkie esteve no Shark Tank, na SIC. Que tal foi a experiência?

Eu sou um defensor do modelo Shark Tank. Claro que há coisas com as quais concordo e outras que não gosto tanto. Mas no cômputo geral foi uma experiência incrivelmente positiva, que nos fez aprender e crescer dado a exposição que tivemos.
Espero que o programa continue, porque programas destes fazem falta. Podemos criticar, podemos não concordar, ou até podemos achar que faríamos melhor, mas temos de dar valor a um programa que ajuda empreendedores a realizarem os seus sonhos, isso é louvável com todos os defeitos que possa ter.

O que é saiu da participação no programa? Os tubarões morderam o isco?

Tínhamos um propósito no shark tank, conseguir um tubarão que mordesse o isco e investisse em nós. Isso seria mesmo ótimo. Conseguimos de facto isso, como é público. No entanto o nosso tubarão não mordeu apenas o isco do investimento, mordeu a nossa cultura, os nossos valores e a nossa visão. É hoje mais do que um investidor, é um elemento ativo na equipa, não num papel de investidor, mas num papel de facilitador e isso enche-nos de orgulho e motiva-nos a trabalhar mais.
Aquilo que sentimos é que fomos sacar um corpo de tubarão com o feitio de um golfinho.

João e Daniel frente a frente com os tubarões do "Shark Tank" da SIC

João e Daniel frente a frente com os tubarões do "Shark Tank" da SIC

A notícia que esperavam: um dos tubarões mordeu o isco

A notícia que esperavam: um dos tubarões mordeu o isco

Por fim. João, o que te vês a fazer daqui a 5 anos?

Gostava de estar sentado com a minha equipa de hoje, a saborear uns tremoços e umas cervejas, e de poder dizer: Construimos algo realmente porreiro, conseguimos!

  • "A frase que mais ouço quando digo que sou blogger é: 'Mas dá para viver disso?'"

    Web Summit 2016

    É certo e sabido que a internet e as redes sociais abriram as portas a novas realidades laborais e sobretudo a oportunidades profissionais espalhadas um pouco por todo o mundo. Portugal não foge à regra e é cada vez mais uma parte desse todo, como o demonstra a organização da WebSummit para o triénio 2016-18. Foi precisamente por lá que encontramos a Sara Riobom, uma engenheira industrial convertida à blogosfera e a fazer vida disso mesmo.