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14.11.2011 12:35
PSOE acusa PP de querer alterar a lei do aborto, caso vença as eleições de domingo
Espanha poderá ver revista a lei de interrupção voluntária da gravidez se, como antecipam as sondagens, o PP vencer as eleições de domingo ainda que, até ao momento, se desconheçam os contornos das alterações.
Com a campanha dominada pelos temas económicos, o debate sobre a mudança numa das leis mais polémicas da governação socialista de José Luis Rodríguez Zapatero tem sido marginalizado.
O próprio programa eleitoral do Partido Popular (PP), liderado por Mariano Rajoy, prevê mudanças na actual legislação para assim, explica, "reforçar" a protecção do direito à vida, especialmente no que toca às menores.
Não se avançam detalhes mas o vice-secretário de Comunicação do PP, Esteban González Pons, recorda que o partido sempre se opôs a alguns elementos da lei em vigor e discorda, em particular com o facto de que menores abortem sem o conhecimento dos pais.
A par dessa mudança, explicou recentemente, o PP quer "procurar uma fórmula que preserve o direito à vida", ecoando declarações de uma outra dirigente do partido e ex-ministra da Saúde, Ana Pastor, que confirmou a vontade de alterar a lei em vigor há pouco mais de um ano.
Para Pastor, que coordena a participação social do PP, a lei é "injusta e desnecessária".
Os comentários de Ana Pastor suscitaram criticas imediatas do PSOE que acusa os conservadores de "voltar ao passado" e de "procurar limitar os direitos das mulheres".
Alfredo Pérez Rubalcaba, cabeça de lista do PSOE às eleições de domingo, acusa o PP de querer retroceder em direitos sociais e de pretender regressar à lei de aborto de 1985.
"Em Espanha já acabou o tempo em que uma mulher para interromper a sua gravidez tinha que recorrer a desculpas, a pretexto. É um direito. Não se trata de uma concessão, trata-se de um direito e os direitos primeiros conquistam-se e depois defendem-se", afirmou recentemente Rubalcaba.
Elena Valenciano, directora de campanha dos socialistas, insiste que o plano do PP no aborto se alarga a outras leis aprovadas nos últimos anos, como a de igualdade, casamento homossexuais e até do divórcio "Express".
Palavras ecoadas pela candidata dos socialistas por Barcelona, e actual ministra da Defesa, Carme Chacón, que acusa o PP de ter planos para cortar em direitos civis para implementar "propostas retrógradas" que vão colocar em risco "o melhor sistema de direitos civis da Europa".
A causa da polémica é a reforma da lei do aborto de 2010, que liberaliza até às 14 semanas e reduz para os 16 anos a maioria de idade para decidir sobre uma interrupção voluntária da gravidez.
Depois da negociação o articulado do texto exige que os pais sejam informados, excepto em casos em que as menores aleguem perigo de violência familiar, ameaças, coacções, maus-tratos ou possíveis situações de falta de apoio.
Entre outras alterações aprovadas conta-se ainda o direito à objecção de consciência dos profissionais de saúde mas insiste que essa posição não pode por em risco o acesso e a qualidade de assistência na prática da interrupção da gravidez.
Incluem ainda medidas que prevêem que os anticoncetivos de última geração sejam co-financiados pelo Sistema Nacional de Saúde.
Prevê ainda formação sexual como parte da educação geral dos alunos das escolas espanholas, sendo que os profissionais sanitários estudarão a interrupção voluntária da gravidez durante o seu curso universitário.
Uma outra alteração diz respeito ao relatório necessário para que as mulheres possam abortar até à 22 semana de gestação, que passará a necessitar apenas de um especialista, em vez de dois, como referia o texto inicial.
Polémica desde o início, e alvo de manifestações promovidas pela Igreja e pelos partidos conservadores, a reforma da lei do aborto foi alvo de relatórios de especialistas e do Conselho de Estado.
Com Lusa
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