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Mais de 100 mil pessoas refugiadas do Darfur vivem em "condições medonhas", denuncia ONU

reuters

Mais de 100 mil pessoas foram deslocadas ou severamente afetadas pelos confrontos ocorridos no início de janeiro pelo controlo das minas de ouro no norte do Darfur e vivem hoje "em condições medonhas", revelou a ONU na quinta-feira.

Em meados de janeiro, a Organização das Nações Unidas (ONU) revelou  a ocorrência de combates, iniciados em 05 de janeiro, entre duas tribos,  pelo controlo das minas de ouro, que causaram cerca de cem mortos na região  sudanesa de Jebel Amir. 

Na ocasião, informa a agência noticiosa AFP, a ONU deu uma primeira  estimativa de 70 mil deslocados.  

Dezenas de milhares de pessoas refugiaram-se em escolas e instalações  governamentais, adiantou na quinta-feira fonte da agência da ONU para a  coordenação dos assuntos humanitários (OCHA). 

Muitos vivem "em condições medonhas", acrescentou a mesma fonte, que  especificou que 75 mil estão na província do El-Sireaf, segundo os números  oficiais da comissão governamental para a ajuda humanitária. 

Nesta província, as escolas e vários serviços governamentais estão encerrados  "devido ao número importante de pessoas deslocadas que aí se refugiaram",  afirmou o governador da província, citado pela OCHA. 

"Numerosos deslocados vieram acompanhados do seu gado, o que aumentou  de forma significativa a pressão sobre os pastos", relatou a agência. 

As condições e dificuldade de alimentação do gado conduziram à morte  de vários animais, cujas carcaças "estão abandonadas, sem serem enterradas,  o que coloca um sério risco sanitário", ainda segundo o serviço da ONU.

A ONU e os seus parceiros entregaram em El-Sireaf mais de 600 toneladas  de material de socorro, incluindo roupa e alimentação, para mais de 60 mil  pessoas. 

Mas o transporte rápido da ajuda para os afetados é dificultado, tanto  pela sua dispersão, como pela sua quantidade, para além do banditismo, violências  tribais e confrontos entre rebeldes e exército sudanês, que são fenómenos  diários no Darfur.

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