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Primeiro-ministro israelita contesta acordo nuclear com Irão no Congresso dos EUA

O primeiro-ministro israelita contestou hoje em Washington o "muito mau acordo" que o Presidente norte-americano, Barack Obama, pretende concluir até finais de março sobre o programa nuclear iraniano, denunciando que Teerão representa uma "ameaça para o mundo inteiro".

© Gary Cameron / Reuters

Num discurso diante das duas câmaras do Congresso norte-americano (Câmara dos Representantes e Senado), Benjamin Netanyahu, um acérrimo opositor das negociações sobre o controverso programa nuclear iraniano, alertou igualmente para o risco de uma "corrida ao armento nuclear no Médio Oriente".

Ao mesmo tempo do discurso de Netanyahu no Capitólio (sede do Congresso), os chefes da diplomacia norte-americana e iraniana, John Kerry e Mohammad Javad Zarif, respetivamente, negociavam na Suíça um possível regulamento definitivo para a supervisão do programa nuclear do regime de Teerão.

"O regime iraniano representa uma grande ameaça para Israel, mas também para a paz no mundo inteiro", afirmou Netanyahu, que foi ovacionado de pé, por diversas vezes, pelos legisladores presentes.

A intervenção de Netanyahu foi, no entanto, marcada pela ausência de mais de 50 congressistas democratas que decidiram, numa situação sem precedentes, boicotar o discurso do governante israelita.

O chefe do Governo israelita está em Washington desde domingo para contestar e denunciar o acordo que o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) e o Irão pretendem concluir até 31 de março.

"Meus amigos, durante mais de um ano disseram-nos que nenhum acordo era preferível a um mau acordo. Este é um mau acordo, o mundo estará melhor sem ele", declarou Netanyahu.

"Um acordo com o Irão não vai impedir a produção de bombas atómicas. Na verdade, [o Irão] poderá adquirir e produzir mais", argumentou o líder israelita.

O governante israelita afirmou ainda que "as concessões" do acordo em negociação permitem que o programa nuclear iraniano fique em grande parte intacto.

"Um acordo que pretende impedir uma proliferação terá um resultado contrário, uma corrida ao armamento nuclear na região mais perigosa do mundo", reforçou Netanyahu.

O líder israelita espera que o Congresso norte-americano, atualmente controlado pelos republicanos, vote a favor de novas sanções contra o regime de Teerão.

A aplicação de novas sanções é rejeitada pela Casa Branca, que receia que a medida possa abalar as negociações internacionais.

O discurso do líder israelita no Capitólio foi encarado como um desafio a Barak Obama, que não foi informado com antecedência da deslocação de Netanyahu ao Congresso.

O líder israelita foi convidado pelo presidente da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso), o republicano John Boehner, o que terá irritado a Casa Branca. 

Em meados de janeiro, a Casa Branca anunciou que Obama não iria reunir-se com Netanyahu, justificando a decisão com a proximidade das eleições em Israel, agendadas para 17 de março.

No início do discurso, Netanyahu agradeceu a Obama pelo seu apoio a Israel.

"Algumas das coisas que o Presidente tem feito por Israel nunca serão conhecidas por serem questões sensíveis e estratégicas", mas "conheço-as e serei sempre grato ao Presidente Obama pelo apoio", afirmou.

É a terceira vez que Netanyahu se dirige ao Congresso norte-americano, uma honra rara para um líder estrangeiro.







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