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Primeira fase do julgamento do suspeito do duplo atentado de Boston entra na reta final

O julgamento do suspeito do duplo atentado de Boston, perpetrado em 2013, entrou esta segunda-feira na reta final com as últimas declarações da defesa e da acusação, cabendo agora a um júri determinar a inocência ou a culpabilidade do acusado.

Os advogados de defesa do acusado Dzhokhar Tsarnaev, Judy Clarke e David Bruck.

Os advogados de defesa do acusado Dzhokhar Tsarnaev, Judy Clarke e David Bruck.

© Dominick Reuter / Reuters

Após um mês de audiências, a acusação afirmou hoje que Djokhar Tsarnaev, um jovem muçulmano de 21 anos de origem chechena, agiu de sangue frio e pretendia "aterrorizar" a América.

"Ele queria aterrorizar este país", afirmou o procurador-adjunto Aloke Chakravarty. 

"Ele queria punir a América por aquilo que ela fez ao seu povo e foi isso que ele fez. Com o seu irmão [Tamerlan Tsarnaev], matou duas jovens mulheres naquele dia, bem como um pequeno rapaz (...) e fez 17 amputados", afirmou o procurador-adjunto, numa referência ao atentado perpetrado a 15 de abril de 2013.

Nesse dia, duas bombas artesanais explodiram junto da linha de chegada da popular maratona de Boston (Estado de Massachusetts, nordeste dos Estados Unidos), matando três pessoas e ferindo outras 264. Este duplo atentado foi considerado como o mais grave nos Estados Unidos desde os ataques do 11 de setembro de 2001.

"Naquele dia, eles pensaram que eram soldados, que eram 'mujahidines', e levaram a sua luta para Boston", reforçou o representante da acusação.

"E 20 minutos depois", segundo relatou o procurador-adjunto, Djokhar Tsarnaev estava a comprar leite num supermercado.  

No dia seguinte, acrescentou Aloke Chakravarty, o jovem regressou ao campus universitário que frequentava, conviveu com os amigos e voltou a usar as redes sociais.

"O acusado fez isto com o irmão. Ele colocou uma bomba e o irmão colocou outra. Foi um atentado coordenado, para maximizar o terror", acrescentou o procurador-adjunto, recordando ainda que os dois irmãos estiveram alguns dias em fuga.

O irmão mais velho de Djokhar, Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, acabou por ser morto durante uma perseguição policial.

Djokhar Tsarnaev, que arrisca a pena de morte por este duplo atentado, não mostrou nenhum sinal de emoção ao ouvir as declarações do procurador-adjunto. O jovem manteve a cabeça baixa durante a maior parte do tempo, segundo a descrição das agências internacionais.

Antes das declarações finais, o juiz federal George O'Toole explicou ao júri, composto por 18 jurados (incluindo seis suplentes), que tem agora a responsabilidade de decidir sobre as 30 acusações federais que recaem sobre o acusado.

Dezassete das 30 acusações são passíveis da aplicação da pena de morte.

O veredicto de culpado é dado como quase certo, devido às diversas provas que incriminam o jovem, nomeadamente as imagens das câmaras de videovigilância.

Na abertura do julgamento, que começou no passado dia 4 de março, a advogada de defesa Judy Clarke reconheceu que Djokhar Tsarnaev tinha cometido o atentado, argumentando, no entanto, que o jovem tinha sido radicalizado pelo irmão mais velho, de forma a evitar a pena capital.

No total, a defesa só chamou quatro testemunhas, contra as 92 que foram chamadas pela acusação. 

Após o anúncio do veredicto, o julgamento entra numa segunda etapa, na qual será decidida a sentença de Djokhar Tsarnaev. Os jurados terão de decidir, por unanimidade, entre a pena de morte e a prisão perpétua.
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