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Suspeito do assassínio de LItvinenko diz que o espião se suicidou por acidente

O dissidente e ex-espião russo Alexandre Litvinenko, falecido em 2006 em Londres, não foi assassinado, mas envenenou-se a si próprio "por acidente" com polónio, garantiu hoje um dos principais suspeitos do seu assassínio, Dmitri Kovtoun.

© MAXIM ZMEYEV / Reuters

Ex-agente do KGB, Dmitri Kovtoun é procurado pela polícia britânica, que o tem como suspeito de ter envenenado Litvinenko, com a cumplicidade de outro antigo agente secreto russo, Andrei Lougovoi, colocando-lhe no chá uma substância radioativa extremamente tóxica e quase indetetável, o polónio-210. 

Mas o suspeito afirmou hoje à comunicação social russa que Litvinenko estava doente antes de se encontrar com os dois homens num hotel londrino.

"Litvinenko disse-me que não podia comer nada porque, na noite anterior ao seu terrível envenenamento, estava a vomitar tudo e tinha chamado uma ambulância", disse Kovtoun, que não pode sair da Federação Russa porque é objeto de um mandado de detenção internacional.

"Isto prova a nossa inocência total. Isto prova que ele já tinha estado em contacto com o polónio, talvez mesmo várias dias antes do nosso encontro", acrescentou. 

O agora empresário afirmou que "é mais do que certo que Litvinenko tinha estado em contacto com o polónio, mesmo sem o saber", classificando a morte como resultado de "um suicídio acidental". 

Em resumo, observou: "A questão é saber onde é que ele encontrou o polónio". 

Em março, Kovtoun solicitou, de forma surpreendente, ser ouvido na investigação, se lhe fosse atribuído o estatuto de "participante central", que lhe permitiria ter acesso às provas reunias pela polícia de Londres. 

Até agora, tinha recusado, tal como Lougovoi, participar fosse como fosse no inquérito, que investiga a possível implicação do governo russo no assunto.

"Se não obtiver esse estatuto, não participarei", insistiu Kovtoun, nas suas declarações aos jornalistas. No caso contrário, será interrogado por vídeo, em 27 de julho, mas sem sair do território russo. 

Primeira vítima conhecida de um "assassinato radioativo", Litvinenko morreu em 23 de dezembro de 2006, depois de três semanas de uma longa agonia. 

Em carta redigida no seu leito de morte, Alexandre Litvinenko acusou o Presidente russo, Vladimir Putin, de ter encomendado a sua morte, o que Moscovo sempre negou. 


Lusa
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