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Angola tem cerca de 1.200 seitas religiosas ilegais

A seita religiosa liderada pelo angolano Julino Kalupeteca, suspeito mentor dos confrontos com a polícia que na quinta-feira provocaram mais de vinte mortos no Huambo, será apenas uma das cerca de 1.200 ilegais em Angola, segundo fonte oficial.

© James Akena / Reuters

Além da vertente violenta agora aparentemente demonstrada, que o Governo angolano assume que desconhecia, a autodenominada igreja "A Luz do Mundo" advoga o fim do mundo no final de 2015, sendo conhecida por queimar livros, travar a escolarização e vacinação dos fiéis, concentrando-os em acampamentos sem condições, que reúnem milhares de fiéis.

A seita, a cujos seguidores é agora imputada a autoria da morte a tiro de nove agentes da Polícia Nacional, na Serra do Sumé, junto ao acampamento destes fiéis, é uma das 1.200 ilegais no país, segundo informação do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos, citada hoje pela rádio pública angolana, num tema que há vários dias domina todos os espaços informativos da comunicação social no país.

"Não tínhamos, nessa avaliação, esses sinais de violência [daquela seita], daí que tenhamos que aprofundar o nosso estudo para se perceber melhor o que efetivamente pretendia este cidadão. Mas perceber bem porque é que há um conjunto de pessoas que acreditou nesta mensagem", disse, por seu turno, a ministra da Cultura - que tutela esta matéria -, Rosa Cruz e Silva, também em declarações à rádio angolana.

O líder da seita, Julino Kalupeteca, de 52 anos, já foi detido pela Polícia Nacional.

Além dos agentes policiais, os confrontos do Huambo terão provocado a morte de 13 elementos da seita, segundo a versão da polícia, que desta forma refuta relatos de populares e da oposição angolana apontando para "centenas de vítimas" entre os seguidores de Kalupeteca.

Já na terça-feira, mas na província do Bié, o tribunal local condenou, em julgamento sumário, nove elementos afetos à seita de Kalupeteca a dois anos de prisão efetiva pelo crime de resistência à autoridade.

Embora num outro patamar de gravidade, a Lusa noticiou, 03 de março, que o Governo angolano advertiu os responsáveis da Igreja Mundial do Poder de Deus, de origem brasileira, que serão responsabilizados criminalmente caso a confissão religiosa, que "não é legalmente reconhecida", permaneça em funcionamento no país.

Na altura, o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos angolano recordou que apenas 83 confissões religiosas são "legalmente reconhecidas pelo Estado angolano".

Além do Huambo e do Bié, a seita "A Luz do Mundo" tem atividades conhecidas nas províncias do Cuanza Sul, Cuando Cubango e Benguela (envolvida na morte de outro agente policial), multiplicando-se nos últimos dias os confrontos com as autoridades e com a população.
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