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Rede islamita desmantelada na Sardena planeou ataque ao Vaticano em 2010

A polícia italiana anunciou hoje ter desmantelado uma rede de islamitas radicais com possíveis laços à Al-Qaeda e que terá planeado atacar o Vaticano em 2010, quando um potencial bombista suicida esteve em Itália. 

© Handout . / Reuters

Um trabalho de investigação realizado ao longo de seis anos sobre imigração ilegal levou a polícia da Sardenha (sul) a ordenar a detenção de 18 pessoas em rusgas coordenadas em todo o território italiano. 

O procurador Mauro Mura afirmou, em conferência de imprensa, em Cagliari, que a rede, além de poder ser responsável por um dos atentados bombistas mais mortíferos no Paquistão, pode ter planeado um ataque contra o Vaticano em 2010, quando se encontrava em Itália um potencial bombista suicida. 

Mario Carta, responsável da unidade antiterrorista DIGOS que realizou a investigação, reconheceu não existirem provas concretas da conspiração, mas apenas "fortes suspeitas" baseadas em escutas nas quais os suspeitos falavam "sobre o papa de forma irónica". 

As alegadas principais figuras da rede eram Khan Sultan Wali, um lojista e residente permanente de Olbia, na Sardenha, e um imã não identificado que fazia trabalho missionário em Brescia e Bergamo, no norte de Itália, de acordo com as informações dos procuradores. 

Os mandados de captura acusam os suspeitos de pertencerem a "uma organização dedicada a atividades criminosas transnacionais inspiradas pela Al-Qaida e outras organizações radicais de luta armada contra o Ocidente e insurreição contra o atual governo do Paquistão".  

O ministro do Interior italiano, Angelino Alfano, descreveu a investigação como "uma operação extraordinária" que demonstrou a eficiência dos serviços de segurança. 

"Com uma única investigação, começada em 2009, conseguimos não só desmantelar uma rede de traficantes de pessoas, mas tamém deter vários indivíduos acusados de conspirar com objetivos terroristas e outros de participação nos ataques", disse Alfano. 

As escutas obtidas sugerem que dois membros da rede integravam a segurança de Osama bin Laden antes de ter sido morto pelas forças especiais norte-americanas em maio de 2011, de acordo com uma declaração da polícias. Outros elementos continuaram em contacto com familiares do antigo líder da Al-Qaida depois da morte. 

Alguns dos homens detidos ou procurados são suspeitos de envolvimento no ataque bombista, em outubro de 2009, do Meena Bazar em Peshawar, no qual morreram mais de 100 pessoas e cerca de 200 ficaram feridas. 

Carta acrescentou existirem provas de que o ataque foi substancialmente planeado e financiado a partir de Olbia e que militantes baseados em Itália participaram. 

Muitas das vítimas do ataque eram mulheres e crianças. Na altura, as autoridades acusaram os talibãs, que negaram estar envolvidos. 

Khan Sultan Wali é um dos líderes da pequena comunidade islâmica da Sardenha, ilha conhecida como estância turística de celebridades. 

De acordo com a polícia, a alegada rede radical esteve envolvida no tráfico de cidadãos paquistaneses e do Afeganistão para a Europa através de Itália, garantindo vistos temporários obtidos através de empresários corruptos ou apresentando falsos candidatos ao estatuto de refugiado por perseguições étnicas ou religiosas. 

Os fundos obtidos nesta atividade e em peditórios com fins humanitários terão sido enviados para grupos radicais no Paquistão, incluindo para a Al-Qaida e talibãs, disse a polícia. 

Lusa
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