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Captura de cargueiro no Golfo é resultado de litígio financeiro antigo

O apresamento pelo Irão, na terça-feira, de um navio ligado à companhia dinamarquesa Maersk resulta de um antigo pedido de indemnização apresentado por uma empresa iraniana, disse hoje a Organização dos Portos e Assuntos Marítimos. 

© Edgar Su / Reuters

A operação foi realizada no golfo, depois de "uma decisão relativa a um pedido da sociedade iraniana Pars Talayieh Oil Product", que exigia uma indemnização financeira à Maersk, disse a organização iraniana em comunicado.  

"Esta queixa foi analisada nos tribunais nos últimos anos e o tribunal competente emitiu este julgamento no final de todos procedimentos jurídicos", e depois de ter ouvido as duas partes, acrescentou.  

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Marzieh Afkham, declarou que a "ação foi realizada no quadro das regras e leis da República Islâmica e em conformidade com as regras internacionais", de acordo com um comunicado enviado à agência noticiosa francesa AFP. 

"Esperamos que após a resolução do contencioso financeiro o navio possa retomar a sua rota", acrescentou. 

A porta-voz afirmou que "os 24 tripulantes estão bem" e que não havia "qualquer restrição aos serviços consulares" relativamente aos membros da tripulação. 

Em outubro de 2012, a Maersk anunciou ter posto fim às atividades a partir e para o Irão, depois da aplicação das sanções ocidentais, nomeadamente um embargo financeiro petrolífero contra o país devido ao programa nuclear controverso. 

A organização dos portos sublinhou que este caso é puramente comercial e não está relacionado com questões políticas. 

O "Maersk Tigris", um cargueiro com pavilhão das Ilhas Marshall, foi intercetado pelas forças dos Guardas da Revolução, força de elite do regime iraniano na zona do estreito de Ormuz. 

O navio vinha de Jeddah (Arábia Saudita) e dirigia-se para Jebel Ali, no Dubai, de acordo com o site Marinetraffic.com. 

As autoridades iranianas levaram o navio para o porto de Shahid-Bahonar, perto de Bandar Abba, onde foi apresado. 

O navio "está, a partir de agora, sob a guarda da autoridade judiciária e a sua libertação só será possível por decisão judiciária", precisou a organização dos portos iraniana. 

O "Maersk Tigris" é explorado pela sociedade Rickmers, para o gigante do transporte marítimo Maersk. O navio "não pertence à Maersk e a tripulação não é empregada pela Maersk", disse um porta-voz do grupo dinamarquês. 

Quando foi intercetado, o navio encontrava-se numa rota marítima usada por navios comerciais, em águas territoriais iranianas, indicaram responsáveis norte-americanos. De acordo com a lei marítima em vigor, os navios comerciais têm o direito de atravessar as águas iranianas, em aplicação do princípio do "direito de passagem inofensivo". 

Lusa

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