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Viúva de Mandela exorta África do Sul a acordar perante xenofobia

A viúva do Presidente sul-africano Nelson Mandela, Graça Machel, instou hoje a África do Sul "a acordar" antes que a violência xenófoba que enlutou o país no início de abril se volte contra os próprios sul-africanos.

© Yves Herman / Reuters

"Gostaria de dizer - porque há pessoas neste país que perguntam se estes ataques são xenófobos ou não - que sim, são xenófobos", declarou a viúva de Mandela nas exéquias de um cidadão moçambicano esfaqueado em plena rua a 18 de abril perante a objetiva de um fotojornalista.

"Perdão, meu filho, por teres tido de esconder a tua identidade para viver na África do Sul", disse Graça Machel, de origem moçambicana e viúva do Presidente moçambicano Samora Machel.

O atual chefe de Estado sul-africano, Jacob Zuma, anunciara no seu discurso do feriado nacional, na segunda-feira, que o homem esfaqueado, que usava o nome Emmanuel Sithole, se chamava realmente Manuel Jossias e que era um imigrante ilegal com uma identidade falsa.

Assassinado, segundo Zuma, durante um "bárbaro assalto", o cidadão moçambicano não foi por ele contabilizado entre os sete mortos que os distúrbios oficialmente fizeram.

Manuel Jossias "tornou-se um símbolo do que não deve acontecer nunca mais em qualquer das nossas nações" da África Austral, sublinhou Graça Machel.

Um misto de cólera e de ódio autodestrutivo, alimentado de frustrações e acumulado desde os anos do apartheid, manifesta-se atualmente contra os estrangeiros na África do Sul.

"Mas amanhã, deixará de ser contra os estrangeiros e passará a ser contra os próprios sul-africanos", advertiu.

A violência xenófoba "deve servir de alerta a toda a África do Sul e a toda a SADC (África Austral)", de acordo com a viúva de Mandela.

"Se não criarmos as condições políticas e económicas para permitir que os cidadãos da África Austral se sintam em casa em todo o lado, continuaremos a ter este género de situações", defendeu.

"Até atacarmos as causas de todos esses problemas, aos níveis político, económico e social, não devemos ficar surpreendidos se ocorrerem outros confrontos deste tipo", insistiu.

O discurso proferido na segunda-feira por Jacob Zuma ia mais ou menos no mesmo sentido: Reafirmando que é necessário atacar as raízes do problema na própria África do Sul, o Presidente interpelou, contudo, os seus homólogos africanos, dizendo que o seu país não teria de acolher tantos imigrantes se a situação económica e política fosse melhor nos seus países.


Lusa

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