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Mais de 20 mil manifestantes pedem demissão do governo da Macedónia

Mais de 20.000 pessoas concentraram-se hoje em Skopje para pedir a demissão do primeiro-ministro conservador, Nikola Gruevski, e do seu governo acusado de corrupção e de escutas ilegais em larga escala, segundo os organizadores e jornalistas no local.

© Ognen Teofilovski / Reuters

Com bandeiras macedónias, mas também albanesas, e gritando "Vitória, Vitória", os manifestantes concentraram-se na avenida do edifício do governo.

"Ficaremos enquanto for necessário, até à vitória final, até à demissão do primeiro-ministro", disse à agência France Presse Aleksandar Krstevski, um psicólogo com cerca de 30 anos, que veio de Kumanovo (norte).

"É preciso acabar com este governo", comentou Jelena de 29 anos, segurando um cartaz com as palavras "Adeus Nikola", dirigido ao chefe de governo, no poder há nove anos.

No sábado, numa entrevista à televisão local NOVA, o líder da oposição de esquerda Zoran Zaev afirmou que os manifestantes iam ficar no local até à demissão do governo.

"O protesto vai continuar. Cerca de 4.600 militantes, nomeadamente jovens, disseram 'Vamos ficar quer tu o faças ou não'", disse Zaev.

Manifestações antigovernamentais de menor amplitude vêm sendo realizadas desde há semanas em Skopje, enquanto a oposição denuncia regularmente casos de corrupção e de suborno implicando o governo.

Desafiando a oposição, o primeiro-ministro disse no sábado não ter qualquer intenção de se demitir, adiantando que por trás da oposição se encontram serviços secretos estrangeiros.

Ao contrário, três dos seus colaboradores, os ministros do Interior e dos Transportes e o chefe dos serviços de informações, apresentaram as suas demissões.

Ex-república jugoslava com 2,1 milhões de habitantes, a Macedónia enfrenta uma crise política desde o início do ano.

Gruevski e o seu partido (VMRO-DPMNE) foram reeleitos para um novo mandato de quatro anos em legislativas antecipadas em abril, mas a oposição tem recusado participar nos trabalhos do parlamento e denuncia "fraudes" cometidas durante o escrutínio.





Lusa
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