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Papa Francisco quer ser recordado como "um bom tipo"

O papa Francisco descreve-se como "vadio", diz que as pessoas lhe dão "boa onda", confessa que o comovem os dramas humanos, que é "cobarde perante a dor física" e deseja ser recordado como "um bom tipo". 

© Tony Gentile / Reuters

Numa entrevista hoje publicada pelo diário La Voz del Pueblo, da cidade de Tres Arroyos, no distrito de Buenos Aires, Francisco afiança também que nunca sonhou ser papa, nem sequer quando, em 2013, após a renúncia de Bento XVI, viajou até Roma para participar no conclave.

"A mim, ninguém me apontava como candidato, ninguém (...) De tal maneira que nem uma foto minha saiu nos jornais diários, ninguém pensava em mim. Nas casas de apostas de Londres, estava em número 46 (ri-se com vontade). Eu também não pensava em mim, nem me ocorria", garantiu.

Diz que gosta das audiências das quartas-feiras no Vaticano, porque as pessoas lhe "fazem bem" e lhe dão "boa onda".

Embora viva na residência de Santa Marta para estar em contacto com as pessoas, admite que adora sair à rua, como fazia em Buenos Aires.

"Isso, sim, adoro, a tranquilidade de caminhar pelas ruas. Ou ir a uma 'pizzaria' comer uma boa 'pizza'", comenta.

"Eu sempre fui vadio. A cidade encanta-me, sou cidadão de alma. No campo, não conseguiria viver", insiste.

Admite que "é verdade" que no Vaticano tem "a alcunha de indisciplinado", porque "não segue muito" o protocolo.

O papa admite que o comovem "profundamente" e lhe provocam "pranto interior os dramas humanos, como os das crianças doentes e os das pessoas privadas de liberdade".

Contudo, sublinha que não chora em público, embora recorde que uma vez quase o fez e teve de conter-se, ao falar da perseguição aos cristãos no Iraque.

Diz que "em geral" não tem medos, que é "antes temerário", que inclusive perante a hipótese de um atentado se coloca nas mãos de Deus, mas admite que é "cobarde, sim, perante a dor física".

Queixa-se de que a imprensa às vezes retira as suas palavras do contexto, não vê televisão desde 1990, não navega na Internet e só lê um jornal diário, La Repubblica.

Nem sequer vê futebol para seguir o seu San Lorenzo. Inteira-se dos resultados por um guarda suíço que todas as semanas o informa de como vai o clube na tabela do campeonato argentino.

Conta, por outro lado, que não acompanha as notícias do seu país, que está a viver um intenso ano eleitoral, e que cortou as receções privadas a políticos argentinos no Vaticano, porque se deu "conta de que alguns usavam isso" para as suas campanhas.

Sobre como gostaria de ser recordado, afirma: "Como um bom tipo. Que digam: 'Este era um bom tipo que tentou fazer o bem'. Não tenho outra pretensão".

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