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ONU vai reforçar medidas para deter fluxo de terroristas estrangeiros

O Conselho de Segurança da ONU reúne-se na sexta-feira para analisar as ameaças que representa o fluxo de terroristas estrangeiros e concertar medidas para deter um perigo cada vez mais preocupante para a segurança mundial.

© Omar Sobhani / Reuters

A reunião, a nível ministerial, contará com a participação de altos responsáveis do Interior ou da Segurança e segue-se à cimeira sobre o fenómeno do recrutamento de jovens para se juntarem às fileiras terroristas, realizada em setembro passado.

Essa cimeira do Conselho de Segurança das Nações Unidas decorreu numa altura de alarmante aumento do número de jovens recrutados por grupos 'jihadistas', como o Estado Islâmico, necessitados de gente para as suas fileiras.

"O fenómeno dos terroristas estrangeiros representa uma ameaça à paz e à segurança internacionais que está a evoluir rapidamente, e esta ameaça não se erradicará de um dia para o outro", afirmou hoje um alto responsável da ONU.

A conclusão foi avançada pelo diretor executivo de uma comissão criada pelo Conselho de Segurança para este assunto, o francês Jean-Paul Laborde, que antecipou à imprensa na sede da ONU alguns dos resultados do seu trabalho.

Desde a cimeira de setembro passado, esta comissão analisou diferentes aspetos desta ameaça em 21 países que foram escolhidos por serem a origem ou o destino de muitos destes terroristas estrangeiros, por razões de vizinhança ou por outros motivos.

O relatório que será na sexta-feira apresentado ao Conselho de Segurança admite, por exemplo, que "é impossível obter informação precisa e fidedigna sobre o número de combatentes terroristas estrangeiros", embora haja estimativas que indicam que poderão ser mais de 30.000.

A comissão preparou uma lista dos países mais afetados, que são 67, e realizou uma primeira avaliação de 21 nações, sendo as conclusões sobre as restantes divulgadas em junho próximo.

Os dados da comissão apontam que, desses 21 países analisados, a Tunísia é o que forneceu mais combatentes terroristas estrangeiros aos conflitos armados do Iraque e da Síria, um total de 3.000 pessoas.

Seguem-se-lhe a Turquia, com 1.300 combatentes, Marrocos, com 1.200, e em quarto lugar encontra-se o arquipélago das Maldivas, no Índico, com 200 combatentes, numa população total de 345.000 habitantes.

O caso das Maldivas suscita uma preocupação especial da ONU, porque são os Estados assim pequenos os que são mais vulneráveis a "ameaças terroristas apoiadas e amplamente financiadas".

Projetando o caso das Maldivas, os 200 combatentes que enviou, segundo os dados de que o seu Governo dispõe, "equivalem a uma força de 192.000 combatentes partida dos Estados Unidos" para lutar na Síria. 

Mas trata-se de dados muito parciais: a ONU reconhece no relatório que, dos 21 países analisados nesta primeira fase, metade não tinha informação precisa ou os dados eram insuficientes, entre os quais o Afeganistão e a Líbia.

Tanto no relatório como na exposição que Jean-Paul Laborde hoje fez, é apresentada uma série de medidas que é necessário aplicar internacionalmente para tentar sanar este problema, porque é necessário não só reduzir o número de efetivos dos grupos islâmicos radicais, como também evitar que, quando estes estrangeiros regressem aos seus países, se transformem numa ameaça terrorista latente.

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