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Encíclica do papa recebida nos EUA entre elogios e críticas

A encíclica do papa Francisco sobre ambiente foi recebida nos Estados Unidos com elogios, mas também com as críticas dos intitulados "céticos do ambiente", como é o caso do candidato presidencial republicano e católico Jeb Bush.

Andrew Medichini/ AP

"O clima está a mudar. Acredito que existem soluções tecnológicas para tudo e tenho a certeza que existe uma para isto", afirmou Jeb Bush, numa ação de campanha no Iowa (centro) para as primárias republicanas para a corrida à Casa Branca.

"Respeito o papa, é um líder extraordinário, mas este é o problema que deve ser resolvido no domínio político (...) Não vou à missa para ouvir falar sobre economia ou política", acrescentou. 

Numa encíclica sobre o ambiente em forma de manifesto contra o egoísmo dos mais ricos, o papa Francisco tomou a defesa do planeta, ameaçado de destruição pelo aquecimento global e pelo consumismo, e dos mais pobres. 

"Chegou a hora de aceitar crescer menos em algumas partes do mundo, disponibilizando recursos para outras partes poderem crescer de forma saudável", escreveu o papa na encíclica "Laudato si" ("Louvado sejas")", hoje publicada.

Cobrindo temas que vão do ambiente ao desemprego, Francisco apela às potências mundiais para salvarem o planeta, considerando que o consumismo ameaça destruir a Terra - transformada em "depósito de porcaria" - e apontando o egoísmo económico e social das nações mais ricas.

"Hoje, tudo o que é frágil, como o ambiente, está indefeso em relação aos interesses do mercado divinizado, transformado em regra absoluta", criticou Jorge Bergoglio.

No outro lado do espetro político norte-americano, o senador independente Bernie Sanders, também candidato presidencial mas do lado democrata, escreveu na rede social Twitter que "a poderosa mensagem do papa deve ser um catalisador para ações audaciosas necessárias".

Os intitulados "céticos do ambiente" também têm voz em outros meios influentes dos Estados Unidos, um dos países mais poluidores do mundo.

É o caso do Instituto Heartland, com sede em Chicago (norte), que reagiu à encíclica, criticando as "visões alarmistas e tendenciosas" do texto.

"O que o papa recomenda para diminuir o aquecimento do planeta poderá tornar ainda mais difícil a luta contra a pobreza", segundo indicou o instituto, uma das organizações mais ativas nos EUA na contestação às evidências da influência humana sobre o aquecimento global verificado no século XX.

Por seu lado, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos congratulou-se com o documento, saudando o facto de o texto defender "a casa comum".

"A necessidade de agir de forma rápida é óbvia", afirmou a Conferência Episcopal norte-americana, reconhecendo ainda que um "verdadeiro diálogo exige sacrifícios e a confrontação entre divergências de boa-fé".

Num dos países mais católicos da Europa, a Polónia, a encíclica papal também foi questionada, uma vez que o país tem no carvão a sua principal fonte de energia para produzir eletricidade.

O deputado do partido nacionalista-conservador Lei e Justiça Andrzej Jaworski afirmou que o país deve continuar a sustentar o seu sistema de energia no carvão, independentemente da mensagem do papa, que, na sua opinião, foi mais dirigida aos países mais poluentes.

O Lei e Justiça é o principal partido da oposição polaca e a força política que lidera as intenções de voto nas sondagens para as eleições gerais agendadas para o próximo outono. Também é um reconhecido defensor do setor mineiro do país.

"Não podemos deixar de extrair carvão, encerrar as nossas minas ou as centrais de eletricidade que usam este mineral", disse Jarwoski.

Os 'media' polacos destacaram hoje que o documento papal pode ser "problemático" para a Polónia, um dos países do mundo mais dependentes de carvão e que tem uma população maioritariamente católica.

Lusa
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