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ONU declara nível mais alto de emergência humanitária no Iémen

A ONU declarou hoje a existência no Iémen de uma emergência humanitária de grau 3, o mais elevado da sua escala, para aumentar a ajuda internacional urgentemente necessária ao país devastado pela guerra.  

Hani Mohammed

O dirigente da ONU para a ajuda humanitária, Stephen O'Brien, reuniu-se com responsáveis das agências especializadas para debater a crise no Iémen, onde uma coligação internacional liderada pela Arábia Saudita tem estado a efetuar ataques aéreos para deter uma ofensiva rebelde.

"Todas as agências concordaram declarar o grau 3 por um período de seis meses", disse o porta-voz da ONU Farhan Haq.

Mais de 21,1 milhões de pessoas -- mais de 80 por cento da população do Iémen -- precisam de ajuda, 13 milhões dos quais enfrentando a falta de alimentos.

O acesso à água tornou-se difícil para 9,4 milhões de pessoas, de acordo com as Nações Unidas.

No âmbito do plano de emergência, a ONU tentará socorrer 11,7 milhões de pessoas no Iémen que são as mais necessitadas de ajuda.

"O sistema de saúde está à beira do colapso, com o encerramento de pelo menos 160 centros de cuidados de saúde devido a insegurança, falta de combustível e de material", indicou o porta-voz.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tem repetidamente apelado para um cessar-fogo humanitário para permitir que a ajuda de emergência chegue aos civis afetados pelos ataques aéreos e pelos ataques rebeldes.

A ONU pressionou também a coligação a autorizar mais navios mercantes a atracarem nos portos do Iémen, que é fortemente dependente da importação de alimentos, combustível e outros bens necessários à sobrevivência.

Dez das 22 regiões do Iémen estão classificadas como emergência alimentar -- um grau acima da fome, segundo as Nações Unidas.

O país afundou-se ainda mais quando a coligação liderada pelos sauditas iniciou a ofensiva aérea, no final de março, para deter um avanço dos rebeldes 'huthi' apoiados pelo Irão, que levaram o Presidente a exilar-se.

A Arábia Saudita e os seus aliados do Golfo Pérsico querem que os 'huthis' retirem do território que conquistaram durante a sua ofensiva e que o Presidente, Abedrabbo Mansur Hadi, retome o seu lugar no poder.

Uma semana de conversações patrocinadas pela ONU em Genebra em junho não conseguiu sanar as divergências.

 

Lusa

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