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Cientistas de todo o mundo alertam para perigosa aproximação de desastre climático

Quase 2.000 cientistas iniciaram hoje em Paris um encontro de quatro dias para recordar aos políticos que ainda é possível reverter o aquecimento global do planeta.

© Kim Kyung Hoon / Reuters

A reunião ocorre cerca de cinco meses antes da data limite para o pacto histórico de contenção de carbono.   

"O mundo encontra-se perante uma crítica encruzilhada", foi a mensagem que o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, transmitiu aos académicos.

Enquanto as nações se comprometeram a limitar o aquecimento global a dois graus Celsius acima dos níveis da era pré-industrial, a investigação científica mostra que o mundo está a atingir o dobro ou mais desse valor devido às atuais emissões de gases de efeito estufa.

Concomitantemente, os níveis das emissões acordados até agora não serão suficientes para o objetivo da redução dos dois graus Celsius, alertou Ban Ki-moon, acrescentando ser "necessário atuar com determinação".

A reunião iniciada hoje na capital francesa servirá também para preparar a próxima conferência climática da ONU, agendada para 30 de novembro a 11 de dezembro, em que 195 países negociarão um novo pacto climático global.

Sob o lema "O nosso futuro comum sujeito à mudança climática", a reunião de académicos, provenientes de quase 100 países, irá reavaliar os conhecimentos científicos mais recentes sobre os desafios climáticos e possíveis soluções para sustentar o encontro iniciado hoje em Paris.

"Não cabe aos cientistas dizerem aos governantes o que deve ser feito em dezembro, mas sim iluminar as possibilidades a seguir", salientou o organizador do comité científico, Chris Field, evidenciando sobre as diversas escolhas que cada uma delas terá os seus "diferentes custos e riscos, assim como oportunidades de contribuir para a robustez da economia e maior vitalidade das comunidades".

Desde 2010 que se tem apontado para a redução das emissões de gases de efeito de estufa que "até 2050 que têm que baixar cerca de 40 a 70%", sublinhou o secretário-geral da ONU, alertando para a existente distância a que o mundo se encontra do objetivo definido.

"Para encurtar essa distância é fundamental ultrapassar as faltas de financiamento na ciência, na tecnologia, na capacidade e na confiança", insistiu, concluindo que a ciência contribui para colmatar as lacunas no conhecimento e na tecnologia.

Por sua vez, o responsável da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Michael Jarraud, alertou para a subida dos níveis dos mares e para as frequentes subidas das temperaturas num globo cada vez mais sobreaquecido, dizendo que ainda é possível reverter a situação para níveis razoáveis.

Porém, "o tempo está a ficar limitado", finalizou.

O pacto de Paris, que entrará em vigor em 2020, apoiar-se-á no compromisso dos Estados para a redução de emissões de carbono, que serão apresentadas até ao final do ano. 

Lusa

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