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Indústria venezuelana queixa-se ao governo de que só há farinha até ao final deste mês

Os empresários venezuelanos do setor da moagem e da produção de massas queixaram-se hoje que faltam cereais para produzir farinha e alertaram o governo de que o produto deixará de estar disponível no mercado no final deste mês.

© Jorge Lopez / Reuters

"A situação complica-se a cada dia que passa. Apelamos ao ministro (da Alimentação) Carlos Osório à convocação das partes para os venezuelanos não sofram com a falta deste produto tão importante", disse o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Indústria da Farinha (Fetraharina), Juan Crespo.

Em declarações aos jornalistas, em Caracas, aquele responsável explicou que a sêmola de trigo, com que se faz massa, dá apenas até ao final do mês.

Juan Crespo acrescentou que devido à falta de matéria-prima, algumas fábricas de moagem já informaram a Fetraharina, os sindicatos e os trabalhadores, que a curto prazo "ver-se-ão obrigados a reduzir os salários", ao abrigo da legislação venezuelana que prevê que se houver suspensão de trabalho, 'pro causa fortuita', o empregador não é obrigado a pagar ordenados.

Ainda segundo Juan Crespo, as previsões do setor incluem a chegada, nos próximas dias, de um barco com 20 mil toneladas de matéria-prima, para a fabricação de massas durante 15 dias.

 Os empresários atribuem a falta de matéria-prima às dificuldades impostas pelo sistema de controlo cambial que vigora desde 2003 na Venezuela e que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país. 

Para importar os produtos, os empresários devem solicitar às autoridades o acesso a dólares, mas são muitas as queixas na demora na autorização e na atribuição das verbas necessárias.

Várias padarias venezuelanas foram obrigadas nos últimos dias a reduzir a quantidade de pão vendida aos clientes, devido a dificuldades para conseguirem farinha de trigo.

Os venezuelanos queixam-se frequentemente de dificuldades para conseguir alguns produtos do cabaz básico alimentar, nomeadamente arroz, lentilhas, atum em lata, café, açúcar, leite, óleo, papel higiénico, desodorizante, sabonete e pasta de dentes, entre outros.

Estas dificuldades fazem-se sentir também noutros setores, entre eles o de peças e materiais para viaturas.

Lusa

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