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"Contabilista de Auschwitz" condenado a 4 anos de prisão

Um tribunal alemão condenou a quatro anos de prisão Oskar Gröning, conhecido como o "contabilista de Auschwitz". Gröning, de 94 anos, foi considerado cúmplice na “Operação Hungria”, em que 300 mil judeus da Hungria foram mortos à chegada a Auschwitz.

reuters

O julgamento, que pode ser o último de um criminoso de guerra nazi, teve lugar na cidade de Lueneburg, no norte da Alemanha, onde foram ouvidos vários sobreviventes do campo de concentração.

Alguns observadores questionam se Gröning irá mesmo para a prisão, dada a sua idade avançada.

Ex-membro das SS, incorria numa pena de três a 15 anos de prisão pelo seu papel na “Operação Hungria”, mas o pedido de aplicação de uma pena próxima do mínimo da moldura penal foi justificado pelo procurador com a “contribuição subalterna” do acusado para as mortes e a sua admissão de culpa.

Gröning teve, na terça-feira, a última oportunidade para declarar em tribunal que estava "arrependido" e que "lamentava muito" o sucedido no campo de concentração, dizendo aos juízes que "ninguém devia ter participado em Auschwitz".

"Eu sei disso. Sinceramente arrependo-me de não ter tido essa perceção mais cedo e mais consistentemente. Estou muito arrependido", disse, com "voz vacilante".

Um grupo de sobreviventes do Holocausto declarou, em comunicado após o veredicto, que se congratulava "com a condenação de Oskar Gröning", classificando-a como "um passo tardio em direção à justiça".

Gröning testemunhou em abril passado, e de novo este mês, que estava tão horrorizado com os crimes que presenciou no campo após a sua chegada em 1942, que apelou três vezes aos seus superiores hierárquicos para ser transferido para a frente de combate, o que não aconteceu até ao outono de 1944.

Gröning reconheceu a "culpa moral", mas disse que só o tribunal poderia pronunciar-se sobre a sua culpa legal, sete décadas após o fim do Holocausto.

Com Lusa