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Polícia efetuou mais detenções no escândalo de violação de menores no Paquistão

A polícia paquistanesa faz hoje mais cinco detenções no âmbito de um caso de violações de menores, que pode ser um dos maiores escândalos na história do país.

© Mohsin Raza / Reuters

Sob pressão, a polícia A polícia paquistanesa faz hoje mais cinco detenções no âmbito de um caso de violações de menores, que pode ser um dos maiores escândalos na história do país.

prendeu cinco pessoas durante o dia de hoje, elevando para o 12 o número de detidos no âmbito desse caso de abuso de menores.

Segundo especialistas, esta é a parte visível de um fenómeno generalizado, mas considerado tabu na sociedade paquistanesa.

O caso está a abalar o país desde o fim de semana, depois do surgimento de vídeos sórdidos com cerca de 280 crianças, a maioria com menos de 14 anos, realizados desde 2007, na localidade de Hussain Khanwala, perto de Lahore, a segunda cidade do país.

As crianças são filmadas durante as violações realizadas por um ou vários homens. No total, estariam implicados 25 homens, de acordo com Latif Ahmed Sra, um dos advogados das crianças, e os meios de comunicação paquistaneses.

O caso -- o maior de abusos a crianças na história do Paquistão, segundo o chefe do escritório de proteção da infância do Pundjab, Saba Sadiq -- tomou dimensão nacional.

O primeiro-ministro, Nawaz Sharif, expressou sua "cólera" e a sua "dor", prometendo que nenhum acordo será permitido aos culpados neste caso, que aconteceu no bastião eleitoral de Sharif, no Pundjab.

O Senado condenou hoje os abusos cometidos contras as crianças e pediu punições exemplares aos agressores.

De acordo com testemunhas, os agressores tentavam extorquir dinheiro dos pais das alegadas vítimas, ameaçando, em caso de recusa, vender localmente estes vídeos por 40 rupias (30 cêntimos de euro).

Os advogados das vítimas acusam as autoridades policiais de, há muito tempo, fechar os olhos para esta situação por estarem em conluio com os agressores.

No relatório inicial sobre o caso, a polícia concluiu, na semana passada, que as acusações de abuso sobre as crianças eram "sem fundamento".

O chefe da polícia local, Shahzad Sultan, sustentava que os vídeos eram de atos sexuais consensuais entre jovens, que um grupo de homens havia feito os vídeos, há muito tempo, para se divertirem e foram utilizadas agora por um clã para desacreditar outro clã numa disputa de terras.

De acordo com especialistas locais de infância, ouvidos pela agência noticiosa francesa AFP, as vítimas de abusos sexuais são caladas por motivos de vergonha e para manter a honra da família.

Segundo Mumtaz Hussain, que trabalha para a Sahil, uma organização não-governamental de direitos das crianças, mais de 3.500 casos deste tipo foram registados no ano passado, mas o número real pode mesmo passar dos 10 mil.

Lusa

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