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Centenas de refugiados libertados por Israel no deserto

Israel libertou hoje centenas de refugiados africanos de um centro de detenção no deserto depois de uma ordem judicial, impedindo-os porém de entrar em duas cidades com comunidades imigrantes, segundo a agência France Presse.

© Amir Cohen / Reuters

Por ordem do Supremo Tribunal de Israel, foram hoje libertados 750 detidos há mais de um ano no Centro de Detenção de Holot, no deserto de Negev, com 428 a serem libertadas na quarta-feira, declarou Sivan Weizman, porta-voz dos serviços prisionais israelitas, citado pela AFP.

Porém, as autoridades barraram os libertados de entrar em Tel Aviv e Eilat, cidades com comunidades de refugiados e únicos locais onde estes teriam oportunidade de residir.

"Deram-nos um papel que dizia: 'Proibidos de entrar em Eilat ou Tel Aviv', mas é onde conhecemos pessoas", afirmou Fissel Sidig Adam, sudanês de 28 anos da instável região do Darfur, que saiu do campo com apenas "64 shekels (14 euros) e uma sanduíche".

"Não tenho dinheiro para alugar um apartamento", acrescentou. "Para onde vou agora?"

"A decisão do tribunal é um passo importante, e aceito-a", declarou o refugiado, "mas esperava mais, esperava uma solução real do Estado."

"Não sabemos para onde ir, nem onde vamos dormir esta noite", acrescentou Salah, um sudanês de 33 anos que está em Israel há nove anos, incluindo 20 meses retido no Centro de Detenção.

A maioria dos refugiados em Israel que não se encontram detidos mora em áreas pobres no sul de Tel Aviv, apesar dos protestos contínuos pela sua presença.

O presidente da câmara de uma terceira localidade avisou também que os libertados seriam impedidos de entrar na sua cidade.

Nissan Ben Hamo, autarca da cidade de Arad, perto do mar Morto, declarou na rede social Facebook que chamaria os residentes para "defender a sua cidade" se fosse necessário.

O político ordenou aos seus funcionários e à polícia local para se colocarem à entrada da cidade para bloquear a entrada dos refugiados.

O Supremo Tribunal de Israel revogou há duas semanas uma lei que permitia a detenção sem julgamento de "imigrantes ilegais" durante até 20 meses, ordenando a libertação dos refugiados presos há mais de um ano.

No campo de Holot, as autoridades deram 600 shekels (135 euros) por mês aos detidos se estes apresentassem todas as noites, não lhes sendo permitido sair durante o dia.

Para as pessoas libertadas hoje, tentar sair de Israel pode não valer a pena o risco, segundo a AFP.

Num vídeo gráfico divulgado em abril pelo grupo terrorista Estado Islâmico na Líbia, pelo menos 28 cristãos africanos foram executados por extremistas islâmicos.

O vídeo declara que as vítimas são da Etiópia, mas três foram identificadas como sendo eritreus, que supostamente tentavam chegar à Europa por mar através da Líbia após serem rejeitados como refugiados por Israel, que segundo grupos de Direitos Humanos coagiu milhares de refugiados africanos a sair do país "voluntariamente".

Como noutras regiões do mundo, o influxo de refugiados tornou-se um assunto de interesse nacional em Israel, com políticos de direita pedindo ações para o barrar e ativistas de direitos humanos a apelar para que o governo aceite as pessoas que fogem de países como a Eritreia.

Cálculos oficiais estimam que 45.000 refugiados estejam em Israel, cerca de dois terços da Eritreia e a maioria dos restantes do Sudão.

Um relatório recente das Nações Unidas (ONU) detalhou como a Eritreia, sob o regime de Isaias Afwerki há 22 anos, criou um sistema repressivo em que as pessoas são frequentemente detidas sem acusação, torturadas, mortas ou "desaparecidas".

Lusa

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