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Obama avalia manutenção de 5 mil soldados no Afeganistão em 2017

O Presidente norte-americano, Barack Obama, está a considerar não avançar com o plano de retirada do Afeganistão em 2017 e manter 5000 soldados em solo afegão, divulgou esta segunda-feira o diário The Washington Post, que cita altos funcionários norte-americanos.

Não será a primeira vez que a atual administração norte-americana anuncia um adiamento na redução de tropas norte-americanas no território afegão. (Arquivo)

Não será a primeira vez que a atual administração norte-americana anuncia um adiamento na redução de tropas norte-americanas no território afegão. (Arquivo)

© Ahmad Masood / Reuters

Não será a primeira vez que a atual administração norte-americana anuncia um adiamento na redução de tropas norte-americanas no território afegão.

Em março deste ano, a Casa Branca anunciou que cerca de 10 mil soldados norte-americanos iriam continuar em solo afegão até ao fim de 2016.

Anteriormente, Barack Obama tinha avançado que Washington iria retirar o contingente militar do Afeganistão até ao fim do seu mandato.

Em dezembro de 2014, o governante norte-americano saudou o fim da missão de combate da NATO no Afeganistão, naquela que foi a mais longa guerra da história dos Estados Unidos.

A Casa Branca tinha previsto reduzir a presença militar no Afeganistão para uma força residual vocacionada para a segurança diplomática e questões bilaterais.

O novo plano, hoje citado pelo The Washington Post, foi apresentado em agosto passado pelo então chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Martin Dempsey, antes do governo afegão perder o controlo da cidade de Kunduz (norte) na semana passada.

A nova proposta é focada principalmente na manutenção das capacidades antiterroristas norte-americanas em solo afegão, devido à ameaça do grupo extremista Estado Islâmico (EI) e da rede terrorista Al-Qaida.

Segundo altos funcionários da administração norte-americana, citados pelo The Washington Post, os Estados Unidos poderão manter presença em uma ou duas bases militares, nomeadamente na base aérea de Bagram.

Apesar de as forças afegãs terem conseguido recuperar a maior parte do território perdido, a perda do controlo de Kunduz revelou as fragilidades, tanto ao nível aéreo como nos serviços de informação, das tropas de Cabul.

A notícia do The Washington Post surge numa altura em que um bombardeamento norte-americano que atingiu no sábado um hospital dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Kunduz está envolvido em polémica.

O Departamento de Defesa norte-americano (Pentágono) afirmou hoje que o ataque, que fez pelo menos 22 mortos, foi solicitado pelas forças afegãs, em resposta a fogo inimigo.

O exército afegão, encurralado pelos rebeldes talibãs, "solicitou apoio aéreo às forças norte-americanas" na noite de sexta-feira para sábado, declarou hoje o comandante das forças norte-americanas no Afeganistão, o general John Campbell, precisando que as normas para as tropas norte-americanas atuarem em solo afegão, em parceria com os aliados de Cabul, não serão alteradas até à conclusão da investigação sobre o ataque.

A administração norte-americana prometeu uma "investigação completa" para clarificar os acontecimentos em Kunduz.

Em declarações também hoje divulgadas, o diretor-geral da organização não-governamental MSF, Christopher Stokes, condenou as "contradições" existentes no relato fornecido pelas autoridades norte-americanas sobre o bombardeamento.

"O relato [de Washington] sobre o ataque está constantemente a mudar", disse Stokes, em reação às declarações do general John Campbell.

"Primeiro foi um dano colateral, depois foi um trágico incidente e agora estão a tentar passar a responsabilidade para o governo afegão", frisou o representante dos MSF.

Lusa

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