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Obama diz que sempre foi "cético" relativamente à ideia de treinar rebeldes sírios

O Presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou, este domingo, que sempre foi "cético" relativamente à ideia de treinar um "exército" de rebeldes sírios contra o Estado Islâmico (EI) e admitiu o que o seu programa "não funcionou".

© Kevin Lamarque / Reuters

"Fui cético desde o início relativamente à ideia de que íamos criar eficazmente um exército", afirmou Obama, numa entrevista transmitida no domingo pela cadeia televisiva CBS.

Esta sexta-feira, o Pentágono revelou que vai interromper o programa de treino de novas unidades rebeldes sírias e concentrar esforços na formação e no fornecimento de armamento a líderes rebeldes já identificados no terreno.

Fica assim para trás o esforço de treinar dezenas de milhares de rebeldes sírios no combate contra o EI para lançar uma estratégia muito mais reduzida que visa equipar os líderes de grupos árabes e curdos que estão envolvidos na luta contra os 'jihadistas'.

"Não há dúvida nenhuma de que não funcionou", disse Barack Obama referindo-se ao multimilionário plano do Pentágono.

Lançado no início do ano por Washington, o programa de formação e de equipamento do Pentágono, dotado com um orçamento de 500 milhões de dólares (439 milhões de euros), devia abranger, por ano, cerca de cinco mil rebeldes sírios moderados, que iriam combater na Síria o grupo extremista.

"O meu objetivo foi pôr à prova a ideia de podermos treinar e equipar uma oposição moderada que esteja disposta a lutar contra o EI. E o que aprendemos é que enquanto Bashar al-Assad permanecer no poder é muito difícil conseguir com que essas pessoas centrem a sua atenção no EI", acrescentou o Presidente norte-americano.

Obama defendeu-se, porém, das acusações de que a sua estratégia na Síria fracassou, sustentando que "numa situação tão volátil não há fórmulas mágicas" e que não fará grandes mudanças na sua tática militar.

"Estamos dispostos a trabalhar diplomaticamente e, onde pudermos, apoiar a oposição moderada que possa ajudar a convencer os russos e os iranianos a pressionar Assad para uma transição. Contudo, o que não vamos fazer é tentar reintegrarmo-nos numa campanha militar dentro da Síria", apontou.

Obama sugeriu que os ataques aéreos da Rússia sobre a Síria são um sinal da crescente debilidade do Presidente russo, Vladimir Putin, que "está a alocar as suas tropas, o seu próprio exército, simplesmente para manter de pé, segurado por um fio, o seu único aliado" no Médio Oriente.

"O facto de terem tido que fazer isto não é um sinal de força, é um sinal de que a sua estratégia [na Síria] não funcionou", disse.

O Presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que, quando se reuniu com o seu homólogo russo, no final de setembro em Nova Iorque, dois dias antes dos primeiros bombardeamentos russos na Síria, já tinha a intuição de que tal ação estaria prestes a ocorrer.

"Sabíamos que estava a planear proporcionar a assistência militar que Assad necessitava, porque estavam nervosos sobre um potencial colapso iminente do regime", afirmou Obama.

Lusa

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