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Arquivos nazis revelam atrocidades cometidas na Grécia na II Guerra Mundial

Uma nova investigação revelou "uma lista interminável" de atrocidades cometidas pelas forças de ocupação nazis na Grécia, incluindo quantos cretenses deviam ser executados por cada soldado alemão morto ou ferido.

KEVIN FRAYER

O Ministério da Defesa grego divulgou hoje as primeiras conclusões da investigação a documentos nazis antes classificados, descobertos em arquivos nos Estados Unidos.

"É uma lista interminável de tragédias", disse a historiadora que dirige a investigação, Efi Paschalidou, do Departamento de História do Exército grego.

Os documentos, que vão de relatórios do comando da Wehrmacht (exército do III Reich) na Grécia a diários de militares, relatam execuções, saques e destruição de aldeias inteiras.

Entre eles figuram relatórios semanais sobre cidadãos gregos mortos, os quais só "raramente indicam se eram mulheres ou crianças", e listas de bens apreendidos, nomeadamente gado, trigo ou azeite e até tapetes de lã, numa altura em que a maior parte da população passava fome.

As mortes de habitantes por represália de ataques a militares alemães são referidas nos documentos como "medidas de expiação", disse.

Os documentos dizem respeito a um período de quatro anos que cobrem a invasão da Grécia, em 1941, a batalha de Creta, a ocupação de Atenas e o combate à resistência grega, que se prolongou até 1944.

Em Epiro (noroeste), a historiadora refere que as tropas alemãs receberam instruções para agir sem piedade.

"Não pode haver hesitação, mesmo em relação aos familiares, os suspeitos têm de ser executados no momento", lê-se num telegrama, onde se acrescenta que qualquer sinal de fraqueza "será pago com sangue alemão".

Em Creta, onde os nazis enfrentaram maior resistência, o comando nazi decretou que por cada soldado alemão morto ou ferido 10 cretenses deviam ser executados.

Os poucos cretenses que aceitaram trabalhar para os alemães, eram pagos com uma quantia inferior à necessária para comprar um pão.

Em Salónica, foram criados bordéis especiais para as tropas germânicas. Um telegrama explica essa necessidade com a circunstância de a maioria das mulheres da zona ter "doenças venéreas".

"O valor destas informações é que elas não provêm de um avô grego, mas das próprias forças de Hitler", sublinhou a historiadora à agência France Presse.

Nikolaos Delatollas, outro responsável do Departamento, explicou que a tradução dos documentos em investigação, contidos em 162 microfilmes entregues a Atenas pelos arquivos nacionais dos Estados Unidos entre 2005 e 2007, foi longa e difícil, dado que muitos estão escritos à mão.

O governo grego afirmou anteriormente que tenciona usar a informação destes documentos para reforçar um pedido de indemnização, a título de reparação de guerra, à Alemanha. Para Berlim, esse assunto ficou resolvido num acordo assinado em 1960.

Lusa

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