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Alemanha vai restringir atividades dos serviços secretos externos

A Alemanha anunciou esta sexta-feira novas medidas para restringir as atividades dos seus serviços secretos externos após um relatório oficial condenatório revelar um conluio com a norte-americana Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).

Berlim vai aplicar diretrizes mais rigorosas para regular a cooperação entre os serviços federais de informação externa BND e a NSA. (Arquivo)

Berlim vai aplicar diretrizes mais rigorosas para regular a cooperação entre os serviços federais de informação externa BND e a NSA. (Arquivo)

© Stefanie Loos / Reuters

Berlim vai aplicar diretrizes mais rigorosas para regular a cooperação entre os serviços federais de informação externa BND e a NSA, disse a porta-voz do governo Christiane Wirtz num comunicado.

Wirtz não precisou nem o conteúdo nem o calendário das medidas, mas indicou que o governo tinha "tomado conhecimento" das conclusões de um inquérito sobre as acusações de espionagem visando o BND.

Em 300 páginas, o relatório do investigador designado pelo governo alemão Kurt Graulich ao qual a agência France Presse teve acesso detalha a vigilância efetuada pelo BND em nome da NSA.

A agência norte-americana forneceu aos alemães uma série de "seletores" (palavras-chave, nomes, números de telefone ou de cartões de crédito) que permitiam escutar responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, da presidência francesa ou da Comissão Europeia.

Com esta longa lista de responsáveis visados, os norte-americanos "violaram claramente os acordos internacionais", considera Kurt Graulich.

Ao longo dos anos, o BND terá suprimido milhares de "seletores", continuando a cooperação, adianta o relatório, que será apresentado na quinta-feira numa comissão parlamentar de inquérito.

Os resultados do inquérito mostram "falhas técnicas e organizacionais no domínio da vigilância estratégica", resumiu Wirtz sem dar mais pormenores. Mas assinalou: "Não há qualquer indício de espionagem em massa de cidadãos alemães e europeus".

No outono de 2013, informações sobre a escuta de um telemóvel da chanceler Angela Merkel provocaram forte tensão entre Berlim e Washington. "Espionagem entre amigos, isso não deve existir", declarou então Merkel.

Mas além da revelação da vigilância feita por conta da NSA, os media alemães afirmaram em meados deste mês que os serviços secretos alemães espiaram por conta própria vários países aliados.

Lusa

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