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Igreja sérvia contra adesão do Kosovo à UNESCO admite uso da força

O patriarca da igreja ortodoxa sérvia Irinej apelou hoje a que se evite a adesão do Kosovo à UNESCO, se necessário pelo uso "da força", por ocasião do início da conferência geral da organização.

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© Hazir Reka / Reuters

A conferência da agência das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), de hoje a dia 18 em Paris, vai decidir se aceita a candidatura do Kosovo, à qual a Sérvia se opõe.

Belgrado, que ainda considera o Kosovo como uma província do sul da Sérvia e o berço da cultura sérvia, recusa-se a reconhecer a independência, unilateralmente proclamada em 2008 pela maioria albanesa da população.

"Se a força é usada" para privar a Sérvia do seu património histórico e cultural no Kosovo "devemos tudo fazer para o defender, por meios pacíficos ou pela força", disse o bispo.

"Espero que não sejamos obrigados a usar esses meios (a força) e que a consciência dos que vão decidir o nosso destino desperte", afirmou o patriarca à televisão estatal sérvia.

E acrescentou: os poderosos deste mundo querem tirar-nos os nosso lugares sagrados e proclamá-los lugares sagrados kosovares (...), esses lugares pertencem-nos, é a nossa história, a nossa cultura, o berço de tudo o que é grande e durável na nossa história.

"Em nenhum caso devemos permitir que o Kosovo não pertença aos que são os seus proprietários", acrescentou, insurgindo-se contra a intenção de confiar os lugares sagrados da Sérvia "aos que ao longo da história não fizeram mais do que os destruir".

O patriarca referia-se nomeadamente aos motins de março de 2004, no Kosovo, quando os albaneses incendiaram e danificaram dezenas de igrejas e mosteiros sérvios, nomeadamente a igreja Bogorodica Ljeviska, em Prizren (sul), um monumento do século XII que faz parte da lista do património mundial da humanidade.

Três dos principais mosteiros ortodoxos do Kosovo, Pec (onde são entronizados os patriarcas sérvios), Gracanica e Decane, fazem também parte essa lista.

Belgrado recusa-se categoricamente a que o Kosovo seja admitido na UNESCO, o que transferiria a responsabilidade pela manutenção dos mosteiros e seria um passo mais para a adesão à ONU.

Belgrado argumenta que a proteção desses lugares não pode ser confiada aos que os tentaram destruir.

O Kosovo, com 1,8 milhões de habitantes dos quais 90% albaneses, foi até agora reconhecido por mais de cem países, incluindo os Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia.

Lusa

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