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Líder da oposição birmanesa pede diálogo com chefe do exército e Presidente

A líder da oposição birmanesa apelou hoje a conversações com o chefe do exército, com o Presidente e com o líder do parlamento, numa altura em que os resultados parciais das legislativas dão ao seu partido uma histórica vitória.

reuters

"Os cidadãos expressaram a sua vontade nas eleições", disse Aung San Suu Kyi, numa carta endereçada aos três homens-chave, tornada pública pelo partido que dirige, a Liga Nacional para a Democracia (LND).

"Gostaria de vos convidar para discutir a reconciliação na próxima semana num momento que seja da vossa conveniência", afirmou a também Nobel da Paz na missiva citada pela agência AFP.

Suu Kyi revalidou o seu assento, segundo confirmou hoje a comissão eleitoral na mais recente atualização dos resultados que amplia a vantagem da oposição.

No seu décimo comunicado, a comissão anunciou os resultados provisórios de outros 61 assentos da câmara baixa, dos quais 56 foram conquistados pela LND, de acordo com o jornal Myanmar Times.

Um desses é o de Suu Kyi, que se impôs na circunscrição de Kawmhu, na região de Rangum, onde já tinha ganhado nas eleições parciais de 2012 durante a anterior legislatura.

Os outros cinco assentos foram repartidos pelo Partido para a União, Solidariedade de Desenvolvimento (USDP, no poder), que obteve três, e pela Liga de Nacionalidades Shan para a democracia, que ficou com os restantes dois.

Segundo os resultados preliminares, na câmara baixa do parlamento, onde estão em jogo 323 assentos, a LND obteve 134 dos 156 anunciados, contra os oito do USDP e 14 de outras formações das minorias.

Na câmara alta, onde se disputam 168 lugares, a comissão eleitoral facultou os resultados de 33 circunscrições nas quais a LND ganhou 29, o USDP três e as minorias dois.

A LND precisa de conquistar na soma das duas câmaras 329 assentos para obter a maioria absoluta no parlamento, onde um quarto dos lugares é designado pelos militares ao abrigo de uma disposição da Constituição.

Uma vez confirmados os resultados prevê-se que em janeiro tome posse o novo parlamento, o qual vai eleger, entre fevereiro e março, o novo Presidente e dois vice-presidentes.

Prémio Nobel da Paz em 1991, Suu Kyi, que a junta militar manteve sob detenção durante mais de 15 anos, está impedida de se candidatar à presidência birmanesa devido a um artigo da Constituição, que exclui pessoas casadas ou com filhos estrangeiros - uma disposição que se considera visar diretamente a opositora, viúva de um britânico e com filhos de nacionalidade britânica.

Apesar de a candidatura à presidência ser impossível, Aung San Suu Kyi, de 70 anos, garantiu que vai dirigir o governo se a LND ganhar as eleições. "Vou liderar o governo e vamos ter um Presidente que trabalhe de acordo com as políticas da Liga", disse.

A Birmânia realizou no domingo as primeiras eleições livres em mais de 25 anos

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