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PR angolano diz que não há espaço para "vingança" de "pessoas de má-fé" em Portugal

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, disse hoje, em mensagem dirigida à nação por ocasião dos 40 anos da independência nacional, que não há espaço para "saudosismo" e "espírito de vingança" de "pessoas de má-fé" em Portugal.

José Eduardo dos Santos, presidente angolano.

José Eduardo dos Santos, presidente angolano.

Eraldo Peres

Na mensagem gravada, lida pelo chefe de Estado e emitida às 00:00 (menos uma hora em Lisboa) de 11 de novembro, pela rádio e televisão públicas, José Eduardo dos Santos enalteceu que o Brasil foi o primeiro país que "acreditou" em Angola, no reconhecimento da independência, há precisamente 40 anos.

Já sobre Portugal, país colonizador até 1975, José Eduardo dos Santos recordou que as relações diplomáticas bilaterais só foram estabelecidas entre os dois Estados três anos depois da independência.

"Estamos certos de que, quer em Angola quer em Portugal, as pessoas de bem vão continuar a desenvolver com confiança as relações privilegiadas que existem entre os dois povos e Estados, fundadas numa amizade sincera, solidariedade exemplar e cooperação com vantagens recíprocas, dando cada vez menos espaço ao saudosismo e o espírito de vingança e de reconquista de pessoas de má-fé", apontou o Presidente angolano, numa mensagem de quase 40 minutos.

As comemorações da independência angolana decorrem este ano num momento de particular tensão entre Angola e alguns setores da sociedade portuguesa, que pedem publicamente a libertação de um grupo de 15 ativistas, acusados de prepararem uma rebelião, detidos desde junho, pretensão que tem sido classificada por Luanda como uma ingerência nos assuntos internos.

Numa mensagem que passou em revista os efeitos dos 500 anos de poder colonial português e os últimos 40 anos de Angola independente, José Eduardo dos Santos apontou os efeitos dessa ocupação no desenvolvimento do país, nomeadamente pelo tráfico de escravos para o Brasil.

"Segundo alguns historiadores, dos cerca de quatro milhões de escravos levados de África para o Brasil, metade, isto é, cerca de dois milhões, saíram de Angola. Essa deve ser a principal razão porque a população de Angola não é mais numerosa, pois supõe-se que ela devia ser hoje superior a 50 milhões de habitantes, em vez dos cerca de 26 milhões que somos", disse o chefe de Estado angolano.

Por entre duras críticas ao passado de ocupação colonial, salientando as "injustiças culturais gritantes, assim como a humilhação e a violação sistemática dos direitos fundamentais" ao longo dos últimos 400 anos de poder colonial.

Contudo, disse, o "colonialismo não teria durado tanto tempo se os angolanos fossem mais coesos ou se conseguissem realizar a união de todas as forças nacionalistas mais cedo".

"Esta união, de facto, foi alcançada nalguns momentos, mas durou muito pouco tempo", acrescentou, recordando, por outro lado, o surgimento dos três movimentos de libertação nacional, hoje partidos políticos.

"Tudo levava a crer que o MPLA, a FNLA e a UNITA, que se afirmavam no terreno da luta armada como movimentos de libertação, iriam ultrapassar rapidamente as suas divergências e acelerar a derrota do exército colonial português, mas isso não aconteceu porque a unidade não foi alcançada", observou.

Durante a mensagem, José Eduardo dos Santos saudou os apoios de países como a Nigéria, Rússia ou Cuba no apoio à luta de libertação e na consolidação da independência, além de garantir que com os acordos de 2002 "a paz chegou para ficar" em Angola.

Lusa

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