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Robô Philae cumpre um ano na superfície de cometa

O robô europeu Philae cumpre esta quinta-feira o seu primeiro aniversário na superfície do cometa 67P, numa missão pioneira que poderá ajudar a descobrir se estes astros intervieram na formação da vida na Terra.

O Philae permaneceu operacional, num primeiro momento, durante quase 60 horas, mas mais tarde não pôde recarregar as suas baterias solares e entrou em hibernação. (Arquivo)

O Philae permaneceu operacional, num primeiro momento, durante quase 60 horas, mas mais tarde não pôde recarregar as suas baterias solares e entrou em hibernação. (Arquivo)

AP

A sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), que transportou o Philae anunciou na segunda-feira passada que está a 200 quilómetros de distância do cometa, o que, após quatro meses de silêncio do robô, aumenta as possibilidades de ser retomado o contacto.

Rosetta, a primeira missão desenhada para orbitar e aterrar sobre um cometa, chegou ao 67P/Churyumov-Gerasimenko em agosto de 2014, após uma longa viagem de dez anos, para estudar pela primeira vez no terreno estes astros, considerados cápsulas do tempo das origens do sistema solar.

A aterragem do Philae em novembro do ano passado foi pioneira mas acidentada, depois de o robô ter ressaltado várias vezes sobre a superfície e ter ficado numa zona de sombra que dificulta o carregamento de baterias pelos painéis solares.

Mas apesar do percalço a missão permite "ver pela primeira vez ver como funciona um cometa, as suas variações em função da sua atividade. Deveria permitir reanalisar os dados sobre outros cometas, minimizar as hipóteses. Será necessário reescrever nos próximos anos aquilo que sabemos sobre eles", explicou à agência de notícias espanhola, EFE, o cientista da ESA Nicolas Altobelli.

Os investigadores destacam que os cometas conservam o material mais primitivo do nosso sistema solar em forma de gelo, pó, silicatos e matéria orgânica sólida, pelo que o estudo da sua composição proporciona informação essencial para entender como se formou o sistema.

O Philae permaneceu operacional, num primeiro momento, durante quase 60 horas, mas mais tarde não pôde recarregar as suas baterias solares e entrou em hibernação.

Sete meses depois, no dia 13 de junho, saiu, surpreendentemente, da sua letargia, deu sinais de ter recuperado a sua atividade e enviou mais de 300 pacotes de dados.

As observações recolhidas pela sonda Rosetta e pelo robô Philae durante os ressaltos do módulo sobre o cometa demonstraram, por exemplo, que o seu núcleo não está magnetizado e a missão também sugeriu que o gelo à superfície aparece e desaparece ciclicamente em função da exposição à luz solar.

O módulo também encontrou no cometa compostos orgânicos considerados precursores de vida, porque intervêm na formação de aminoácidos essenciais ou de bases nucleicas, segundo anunciou em julho passado a Associação Norte-americana para o Avanço das Ciências.

A complexidade e a ambição do projeto, segundo Altobelli, mostram que nenhuma agência nacional poderia tê-lo realizado sozinha e, por isso, estes primeiros êxitos são "um reflexo do que a Europa pode fazer unida".

Espera-se um novo capítulo agora que a nave Rosetta se voltou a aproximar do cometa, depois de se ter afastado por precaução, para evitar o gás, o pó e os fragmentos soltos em agosto, quando esteve mais perto do sol.

Estabelecer uma comunicação estável com o Philae, algo que está previsto para finais de novembro, permitiria realizar novas operações científicas, uma possibilidade que terminaria entre finais de janeiro e fevereiro, com o seu afastamento do sol.

A missão deveria terminar oficialmente em finais deste ano, mas a ESA decidiu prolongá-la em junho por mais nove meses, até setembro de 2016, e avançou que a aventura provavelmente terminará com a própria sonda pousada também sobre o cometa, sendo improvável que continue a enviar dados para a Terra.

Lusa

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