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UNITA diz que ainda há discriminação em Angola ao fim de 40 anos de independência

A UNITA, maior partido da oposição angolana, afirmou esta quarta-feira, em comunicado, que ao fim de 40 anos de independência nacional os angolanos não viram as suas condições de vida melhoradas e que ainda há "discriminação" no país.

"Angola continua a ter uma grande parte da população sem saneamento básico e com dificuldades para obter água potável e energia elétrica, o setor do ensino não consegue absorver todas as crianças em idade escolar e os serviços de saúde são de fraca qualidade e não cobrem todo o território", lê-se na declaração. (Arquivo)

"Angola continua a ter uma grande parte da população sem saneamento básico e com dificuldades para obter água potável e energia elétrica, o setor do ensino não consegue absorver todas as crianças em idade escolar e os serviços de saúde são de fraca qualidade e não cobrem todo o território", lê-se na declaração. (Arquivo)

© SIPHIWE SIBEKO / Reuters

Numa declaração sobre o aniversário da independência de Angola, hoje assinalado, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) sublinha que a liberdade do país, após 500 anos de colonização portuguesa, foi saudada com "muito entusiasmo e expectativas" pelo povo.

Contudo, o partido também sublinha que os angolanos aguardavam não só pela mudança de regime e sistema político, mas também pela melhoria das suas condições de vida, proporcionada por soluções equilibradas para os problemas económicos e de justiça social.

"Angola continua a ter uma grande parte da população sem saneamento básico e com dificuldades para obter água potável e energia elétrica, o setor do ensino não consegue absorver todas as crianças em idade escolar e os serviços de saúde são de fraca qualidade e não cobrem todo o território", lê-se na declaração.

A maior força política da oposição destaca ainda que a taxa de mortalidade continua a ser uma das mais elevadas do mundo e a malária e as doenças diarreicas agudas continuam a provocar milhares de mortos anualmente no país.

"Angola comemora assim, os 40 anos de independência nacional entre o sonho dos precursores da luta pela autodeterminação dos angolanos e a realidade caracterizada pela ignorância, fome, alto índice de mortalidade, subnutrição, pobreza e pela violação dos direitos fundamentais do homem, consagrados na carta magna da República de Angola", é salientado no texto.

A independência angolana foi proclamada a 11 de novembro de 1975 por António Agostinho Neto, líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e o primeiro Presidente de Angola, após 14 anos de guerra contra o poder colonial português.

Hoje, refere a UNITA, os angolanos constatam que "tal como na ditadura de Salazar", em que as pessoas eram discriminadas pela cor da pele, na governação do Presidente José Eduardo dos Santos e do MPLA, as pessoas são discriminadas com base na cor política.

"Ao longo dos 40 anos de independência nacional, o povo angolano tem sido sucessivamente desumanizado, enganado, explorado e oprimido, numa realidade constrangedora de um país rico, com uma população miserável. A riqueza beneficia apenas o Presidente da República, a sua família e a oligarquia no poder há 37 anos", acrescenta a posição oficial da UNITA.

Descreve ainda que o sistema político em vigor no país há 40 anos exclui e semeia discórdia entre os filhos da mesma pátria, lamentando que o quadragésimo aniversário da independência foi celebrado "sob o signo da separação, em que não se reconhece, em condições de igualdade, os protagonistas da luta pela independência nacional".

"Álvaro Holden Roberto [fundador da FNLA, outro movimento e libertação] e Jonas Malheiro Savimbi [fundador da UNITA], não obstante a sua participação e contribuição à luta que conduziu Angola à independência, não têm lugar nos discursos oficiais", lamenta o partido na declaração.

Lusa

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