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Contacto com primeira língua na infância prepara cérebro para aprender novas línguas

O contacto, ainda que breve, com uma língua, na infância, influencia a forma como o cérebro processa os sons de uma segunda língua, numa etapa posterior da vida, mesmo quando a primeira língua aprendida já não é falada.

Os cientistas acreditam que a primeira experiência com uma língua tem, mais tarde, influência na organização do cérebro, assim como na capacidade de o cérebro se adaptar a ambientes de uma nova língua e ser hábil numa nova língua. (Arquivo)

Os cientistas acreditam que a primeira experiência com uma língua tem, mais tarde, influência na organização do cérebro, assim como na capacidade de o cérebro se adaptar a ambientes de uma nova língua e ser hábil numa nova língua. (Arquivo)

© Andrea Comas / Reuters

A conclusão consta num estudo, hoje publicado na revista Nature Communications, conduzido por investigadores da Universidade McGill e do Instituto Neurológico de Montreal, no Canadá.

Os cientistas acreditam que a primeira experiência com uma língua tem, mais tarde, influência na organização do cérebro, assim como na capacidade de o cérebro se adaptar a ambientes de uma nova língua e ser hábil numa nova língua.

A investigação tem, de acordo com os seus autores, implicações na compreensão do funcionamento do cérebro e pode ser um contributo para práticas educativas orientadas para diferentes estudantes de línguas.

A equipa de cientistas pediu a três grupos de crianças e jovens, entre os 10 e os 17 anos, com antecedentes linguísticos diferentes, para desempenharem uma tarefa que incluía a identificação de pseudopalavras francesas, como "vapagne" e "chansette".

Um dos grupos integrava menores que nasceram e cresceram no seio de famílias que só falavam francês, enquanto outro incluía crianças chinesas que foram adotadas, antes dos 3 anos, por famílias francesas e que, a partir dessa altura, deixaram de falar chinês e passaram a ouvir e a falar francês.

Um terceiro grupo era constituído por menores fluentes em chinês e francês.

Ao mesmo tempo que as crianças respondiam ao desafio lançado pela equipa do estudo, os cientistas viam, socorrendo-se à técnica de imagem por ressonância magnética funcional, que partes dos seus cérebros estavam ativadas.

Apesar de todos os grupos terem desempenhado de igual modo a tarefa que lhes foi pedida, as áreas dos cérebros ativadas foram diferentes entre os menores que só falavam francês e os que eram bilingues em francês e chinês ou que aprenderam chinês na infância e deixaram de falar a língua.

Os investigadores descobriram que as crianças chinesas que foram adotadas por famílias que só falavam francês, e que deixaram de falar chinês, tinham cérebros que processavam a nova língua, neste caso o francês, de forma idêntica à das crianças bilingues.

"No primeiro ano de vida, enquanto primeiro passo para o desenvolvimento linguístico, os cérebros das crianças estão muito atentos à recolha e ao armazenamento de informação sobre sons que são relevantes e importantes para a língua que ouvem", assinalou a autora principal do estudo, Lara Pierce, da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá.

"O que descobrimos, quando testámos as crianças que foram adotadas por famílias francesas e deixaram de falar chinês, foi que, tal como as crianças que eram bilingues, as áreas do cérebro conhecidas por estarem envolvidas na memória e na atenção foram ativadas", acrescentou, citada numa nota da universidade.

Os investigadores estão agora interessados em saber se áreas semelhantes do cérebro serão ativadas se as línguas que foram "perdidas" e "conquistadas" por crianças adotadas forem, por exemplo, não o chinês e o francês, mas o francês e o espanhol, línguas mais próximas, com origem no latim.

Lusa

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