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Um mês depois ainda há 4 ativistas angolanos por ouvir em tribunal

O julgamento dos 17 ativistas angolanos acusados de prepararem uma rebelião vai continuar na segunda-feira, a quinta semana, e ainda com quatro dos réus, dois dos quais em prisão preventiva desde junho, por ouvir.

Ativistas angolanos, no Tribunal de Benfica, em Luanda.Novembro de 2015.

Ativistas angolanos, no Tribunal de Benfica, em Luanda.Novembro de 2015.

PAULO JULIÃO/LUSA

A informação foi confirmada hoje à Lusa por David Mendes, um dos advogados de defesa dos réus, acrescentando que hoje foi ouvido o 13.º réu neste processo, o tenente das Forças Armadas Angolanas (Força Aérea) Osvaldo Caholo, que continuará a ser ouvido ainda na segunda-feira.

O militar no ativo, detido desde 24 de junho e que além do crime de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o Presidente, terá sido encontrado na posse - afirma acusação - de um documento militar "altamente confidencial", crimes que negou em tribunal.

À semelhança dos restantes réus, negou-se ainda a responder às questões do Ministério Público.

"O julgamento corre agora um pouco mais célere, apesar de tudo. No início eram precisos até três dias para ouvir um réu, agora é um dia. Penso que até quarta ou quinta-feira teremos esta fase [audição dos 17 réus] concluída", disse à Lusa o advogado David Mendes, no final da sessão de hoje, a 20.ª desde que a 14.ª Secção do Tribunal Provincial de Luanda, em Benfica, iniciou o julgamento.

Ainda para segunda-feira está previsto o início da audição da estudante universitária Laurinda Gouveia, uma das duas jovens que aguardam julgamento em liberdade.

A defesa acredita que ainda na próxima semana poderão começar a ser ouvidos os peritos da investigação policial e que o julgamento decorrerá diariamente até 23 de dezembro, parando apenas nos dois dias de Natal.

"Nestes processos, com réus detidos, não temos paragens", recordou David Mendes.

Em causa está um grupo de 17 jovens - duas em liberdade provisória - acusado da coautoria de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Os 15 ativistas em detenção anunciaram na segunda-feira, em carta enviada ao Presidente José Eduardo dos Santos, que pretendiam fazer uma greve de fome coletiva, caso a audição dos réus em julgamento não terminasse esta semana.

Alguns familiares anunciaram na quinta-feira que quatro destes réus - Luaty Beirão, Domingos da Cruz, Sedrick de Carvalho e José Gomes Hata - tinham iniciado a greve de fome, recusando-se a receber a alimentação levada ao Hospital-Prisão de São Paulo, em Luanda, onde permanecem detidos.

A informação não é contudo confirmada pelos Serviços Prisionais angolanos e pelos próprios advogados de defesa, que até discordam desse eventual protesto.

"Não temos informação fidedigna sobre o assunto. O que sabemos é que, que se houver greve de fome, não é com a adesão de todos, porque muitos são contrários e nós também. Não encontramos uma justificação nesta altura para qualquer tipo de greve como instrumento de pressão", disse David Mendes.

Durante o julgamento, os réus têm sido repetidamente confrontados com vídeos, um dos quais, segundo os advogados, com cerca de duas horas de duração e recolhido com câmara escondida durante as reuniões que estes ativistas realizaram entre maio e junho.

A defesa dos jovens tem vindo a criticar a "morosidade" e alegadas "atitudes dilatórias" do tribunal e do Ministério Público.

Foi também ordenada pelo juiz a leitura, na íntegra, perante o tribunal, do livro de Domingos da Cruz, com cerca de 180 páginas e que era estudado nestas reuniões, publicação que sustenta parte da acusação deduzida pelo Ministério Público.

"Caso não termine essa fase de interrogatório ao longo da semana de 07 a 11 de dezembro, negar-nos-emos a fazer presentes no tribunal e levaremos a cabo uma greve de fome coletiva que se culminará com a satisfação da nossa exigência", lê-se na carta, de segunda-feira, e assinada pelos ativistas em prisão preventiva, dirigida ao chefe de Estado.

Lusa

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