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Redes sociais na mira das críticas do poder angolano

A contestação à alegada utilização abusiva das redes sociais continua a subir de tom junto do regime angolano, agora com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, a assumir posição oficial.

© Dado Ruvic / Reuters

Depois de o Presidente José Eduardo dos Santos ter defendido, na sua mensagem de ano novo, legislação própria para regular a matéria, o secretariado do bureau político do Comité Central do MPLA emitiu na terça-feira um comunicado denunciando a "tendência crescente dos seus opositores" em "criarem contas falsas na internet".

Desta forma, lê-se no comunicado - divulgado sob o pretexto de desmentir a convocação nas redes sociais, pelo MPLA, de uma marcha de apoio ao Governo pela recente subida dos combustíveis no país -, "supostos militantes, amigos ou simpatizantes seus questionam ou ridicularizam o partido e o executivo [nas redes sociais], com o propósito de confundir os internautas".

"Não sendo verdade que o MPLA estaria na base da preparação de eventuais marchas nesse sentido, o secretariado do bureau político do Comité Central do partido vem, por este meio, denunciar mais esta manobra dos inimigos da paz em Angola, que, através do boato e da mentira, pretendem dividir o povo angolano e instalar a confusão generalizada", critica o comunicado.

O documento afirma ainda que "perante mais esta farsa, em que, novamente, as redes sociais são utilizadas para violar o direito das pessoas, caluniar e veicular conteúdos enganadores", o MPLA "não pode ficar indiferente, reiterando a sua posição inequívoca de garantir, através dos mecanismos do Estado democrático de direito, a segurança de uma Nação una e indivisível, onde a verdade seja o seu apanágio".

As redes sociais têm sido utilizadas em Angola, sobretudo pelos jovens, para criticar a governação do país, liderado pelo MPLA desde 1975 ou mesmo para convocar manifestações e outras ações de protestos, além da divulgação de alegados abusos dos direitos humanos pelas autoridades.

A 18 de dezembro, o Presidente angolano falou diretamente sobre as redes sociais na sua mensagem de ano novo à nação, durante a qual defendeu que os jovens devem "contribuir para a harmonia e coesão social" do país, aludindo aos abusos, éticos e morais, alegadamente praticados com recurso às redes sociais.

Garantiu, então, que o Governo "não vai poupar esforços para melhorar a qualidade da formação dos angolanos" e que é necessário "alterar o atual clima moral que tende a predominar nas relações sociais, sob o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação".

"As redes sociais constituem uma conquista técnica e científica de toda a Humanidade, de que os angolanos devem beneficiar para melhorar o seu acesso ao conhecimento, mas não devem ser utilizadas para violar o direito das pessoas, expor a vida íntima de quem quer que seja, caluniar, humilhar e veicular conteúdos degradantes e moralmente ofensivos".

Defendeu mesmo que Angola "deve dispor o mais depressa possível de legislação adequada para orientar a sociedade e as instituições e reprovar ou prevenir o surgimento deste tipo de práticas, que são inaceitáveis".

"A nossa preocupação maior deve centrar-se cada vez mais no resgate e aperfeiçoamento dos valores morais e no desenvolvimento das suas qualidades pessoais e das aptidões profissionais", rematou José Eduardo dos Santos na ocasião.

Lusa

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