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Polícia diz que atentado em Cabul visava uma produtora televisiva

O ataque suicida registado hoje próximo da embaixada da Rússia em Cabul visou o veículo de uma produtora televisiva, para a qual trabalhavam a maioria dos oito mortos e vários dos 28 feridos, anunciou a polícia local.

© Ahmad Masood / Reuters

O porta-voz da polícia de Cabul, Abdul Basir Mujahid, disse aos jornalistas que "o objetivo do ataque era uma carrinha com funcionários da Kaboora Production", tendo nele perdido a vida "sete civis, a maioria trabalhadores da produtora", e o autor do ataque.

Falando sob anonimato à agência espanhola Efe, um funcionário do canal de televisão afegão Tolo TV, para o qual a produtora prestava serviços, disse que vários dos seus colegas "morreram ou ficaram feridos" e que a maioria dos mortos são mulheres, que trabalhavam em produção e desenho gráfico.

Para o chefe de Governo afegão, Abdullah Abdullah, o "ataque a funcionários de grupos da comunicação social do país, que trabalham honesta e imparcialmente em condições difíceis para manter as pessoas informadas, revela a verdadeira face dos talibãs e terroristas".

Em comunicado, Abdullah ordenou às forças de segurança afegãs que assegurem a proteção de todos os jornalistas, investiguem a fundo o ataque - que terá tido lugar com recurso a uma motorizada e ainda não foi reivindicado - e atuem com firmeza contra os seus autores.

Kaboora é uma companhia afegã com cerca de 200 empregados que trabalha para meios de comunicação como a Tolo TV e já prestou serviços a organizações como as Nações Unidas, o Exército, o Parlamento e vários ministérios do Governo afegão, além da embaixada dos Estados Unidos e diversas empresas estrangeiras.

Nas últimas semanas, várias delegações diplomáticas foram atacadas no país, tendo o atentado de hoje ocorrido "perto do recinto da embaixada", ainda que sem causar "danos no interior das instalações" e estando "todos os funcionários em segurança", segundo o gabinete de imprensa da embaixada russa.

Em outubro passado, os talibãs designaram os canais afegãos Tolo TV e TV 1 e os seus funcionários como "alvos militares legítimos", por atuarem como "ferramentas de propaganda dos EUA e do Governo" afegão.

Os meios de comunicação independentes, proibidos pelos talibãs durante o tempo em que controlaram o Afeganistão (1996-2001), multiplicaram-se nos últimos anos, mas a Human Rights Watch já advertiu para o aumento da violência e intimidação contra os jornalistas no país, quer por talibãs, quer por senhores da guerra e até pelo próprio Governo.

Reagindo ao atentado de hoje, a estação televisiva acusou os seus autores de atacarem os funcionários da Tolo por esta ter "exposto os seus crimes" e assegurou que o objetivo de os silenciar "nunca vai ser atingido".

A Tolo havia divulgado que os combatentes talibãs violaram mulheres num albergue feminino em Kunduz, quando o grupo tomou a cidade, em setembro de 2015, ano em que o Afeganistão viveu um dos seus períodos mais sangrentos desde a queda do regime talibã em 2001, com conflitos em curso em várias zonas do território a causarem 1.592 mortos e 3.329 feridos civis só no primeiro semestre do ano.

O ataque de hoje tem lugar dois dias após uma segunda ronda de negociações em Cabul para relançar as negociações com os talibãs, pois delegados de quatro países - Afeganistão, Paquistão, China e Estados Unidos - estiveram reunidos na segunda-feira na capital afegã com vista a negociar o fim de 14 anos de insurgência dos talibãs.

A primeira ronda das negociações havia sido realizada em Islamabad na semana passada, numa tentativa de estabelecer as bases para o diálogo direto entre Cabul e o grupo islâmico, mas os talibãs não se fizeram representar em nenhum dos encontros e os observadores consideram que eles estão a esforçar-se por ganhar terreno agora para obterem maiores concessões em conversações futuras.

Lusa

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