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Governo da Colômbia liberta 16 guerrilheiros das FARC no âmbito do processo de paz

As autoridades colombianas anunciaram hoje a libertação, pela primeira vez, de 16 guerrilheiros das FARC no âmbito do processo de paz que está a ser negociado entre as duas partes desde finais de 2012.

(Reuters/Arquivo)

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REUTERS

"É um primeiro gesto unilateral do governo após ter avaliado o respeito pelo cessar-fogo unilateral pelas FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, guerrilha marxista], a diminuição da violência daí decorrente e os avanços do processo", anunciou em comunicado o gabinete do Alto-comissário para a paz.

"O gabinete do Alto-comissário informa que 16 das 30 pessoas que o Governo decidiu agraciar em 22 de novembro estão atualmente em liberdade", precisa o texto.

Segundo a mesma fonte, entre os 16 guerrilheiros as FARC "nove saíram da prisão de Picote e sete mulheres foram libertadas da prisão de El Buen Pastor, de Bogotá".

No domingo, as FARC tinham proposto ao Governo a libertação de combatentes, polícias e militares doentes, como um novo gesto de confiança nas conversações de paz que decorrem em Havana.

Os 16 guerrilheiros condenados por rebelião foram amnistiados "não por motivos de saúde, mas pela natureza do delito pelo qual estavam detidos", sublinhou ainda no comunicado o Alto-comissário, precisando que devem agora "iniciar o seu processo de reintegração na vida civil".

Quatro dos combatentes libertados foram ainda autorizados a viajar para a capital de Cuba, onde o Governo do Presidente Juan Manuel Santos e a guerrilha negoceiam desde novembro de 2012 para terminar com o mais antigo conflito armado na América Latina, que se prolonga há mais de meio século e com um balanço de pelo menos 220 mil mortos, seis milhões de deslocados e dezenas de milhares de desaparecidos.

Os negociadores das FARC em Havana propuseram hoje a criação de um novo tipo de punição destinada a sancionar os membros das formações paramilitares, que para o grupo rebelde constituem o principal obstáculo a um cessar-fogo definitivo.

No texto, as FARC denunciam a multiplicação da atividade de grupos paramilitares no território colombiano e insistem que este fenómeno tem constituído uma "política de Estado", que não se limita ao uso de armas.

Na terça-feira, as duas partes pediram à ONU a formação de uma missão de observadores internacionais para verificar o cessar-fogo definitivo e o processo de desarmamento, a última etapa destes diálogos de paz que se prolongam mais de três anos.

As FARC, fundadas em 1964 na sequência de uma rebelião camponesa violentamente reprimida, integram cerca de 7.000 combatentes, segundo as autoridades.

Lusa

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