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Polícia moçambicana sem informações sobre caso de dirigente da Renamo baleado

A Polícia moçambicana confirmou hoje o baleamento do secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, na quarta-feira na Beira, centro de Moçambique, mas não tem ainda pistas dos atiradores, disse o porta-voz da corporação.

ANT\303\223NIO SILVA

Daniel Macuácua, porta-voz do comando da Polícia de Sofala, afirmou em conferência de imprensa que indivíduos desconhecidos e transportados em viaturas não identificadas dispararam três tiros de arma automática AKM contra a viatura Nissan Hardbody conduzida por Bissopo, ferindo o secretário-geral da Renamo e matando o seu segurança.

"[Manuel Bissopo] foi atingido nos membros superiores e inferiores", clarificou Daniel Macuácua, acrescentando que, depois de ter sido ferido, o secretário-geral da Renamo, continuou com o carro em marcha até à sede da delegação provincial do partido, na Ponta Gea, na Beira, de onde foi depois transportado para uma clínica privada.

Sobre a demora na evacuação da vítima mortal do tiroteio, Danuel Macuáca disse que se deveu ao tempo para se constituir a equipa multissetorial, que reúne a Polícia de Investigação Criminal (PIC), um médico legista e o procurador de piquete.

Questionado sobre a presença em grande escala da polícia no perímetro dos locais onde decorriam atividades da Renamo, incluindo o da conferência de imprensa que Bissopo realizou antes de ser baleado, Daniel Macuácua respondeu que "a presença da Polícia na via publica é de 24 horas por dia, para prevenir crimes", negando a presença de agentes a escassos metros do cenário do crime, segundo relatos de testemunhas.

Entretanto a Polícia, disse, continua a trabalhar para esclarecer o crime, que inclui as motivações do ataque, adiantando que todas as equipas especializadas estão no terreno.

O quadro clinico de Manuel Bissopo foi descrito hoje como "estacionário", segundo o porta-voz do partido, António Muchanga, depois de quarta-feira ter sido classificado como "preocupante", exigindo tratamento "intensivo e especial".

Ao contrário de informações que davam conta de que Bissopo tinha sido atingido no bairro da Munhava, um bastião da oposição, o incidente ocorreu no bairro da Ponta Gea, centro da Beira, após uma conferência de imprensa para denunciar alegados raptos e assassínios de quadros da Renamo.

Segundo jornalistas locais ouvidos pela Lusa, os atiradores, que se faziam transportar em duas viaturas, bloquearam o carro em que seguia Bissopo e abriram fogo

O guarda-costas do secretário-geral morreu no local, tendo outros que seguiam na viatura sofrido ferimentos ligeiros.

O porta-voz disse que a polícia está preocupada com a presença de armas de fogo e de guerra em mãos de pessoas alheias na província de Sofala.

Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

Afonso Dhlakama não é visto em público desde 09 de outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda.

Nos pronunciamentos públicos que tem feito nos últimos dias, Dhlakama afirma ter voltado para Sadjundjira, distrito de Gorongosa, mas alguns círculos questionam a fiabilidade dessa informação, tendo em conta uma alegada forte presença das forças de defesa e segurança moçambicanas nessa zona.

A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo e que se encontra bloqueado há vários meses.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição.

Lusa

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