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Humorista italiano Beppe Grillo abandona a política

O humorista italiano Beppe Grillo, fundador do Movimento 5 Estrelas (M5E), anunciou que vai deixar a política para regressar aos espetáculos, mas o partido que fundou assegura que vai manter os mesmos princípios.

Grillo anunciou a saída da política, que descreveu como uma "doença mental", para voltar à sua profissão, humorista. (Arquivo)

Grillo anunciou a saída da política, que descreveu como uma "doença mental", para voltar à sua profissão, humorista. (Arquivo)

© Remo Casilli / Reuters

"O movimento cidadão fundado por Beppe Grillo caminha por si próprio, sempre o soubemos. Os nossos princípios e as nossas propostas vão continuar a ser os mesmos", disse à agência EFE o deputado do M5E Alessandro Di Battista.

Grillo anunciou a saída da política, que descreveu como uma "doença mental", para voltar à sua profissão, humorista, numa entrevista ao diário italiano Corriere dela Sera publicada no domingo.

"Regresso à liberdade de cómico", disse Grillo ao jornal. "Não me estou a afastar [do M5E], estou apenas a dar um passo para o lado (...) para recuperar a minha liberdade", afirmou noutro passo.

O cómico começou a afastar-se da primeira linha política há um ano, quando em novembro de 2014 os militantes do movimento aprovaram a criação de uma direção constituída por cinco pessoas, uma das quais Battista.

O humorista admitiu na altura que o movimento exigia "uma estrutura de representação mais ampla" porque ele se sentia "cansado".

Beppe Grillo, 68 anos, revolucionou o panorama político em Itália em 2009 com a criação do Movimento 5 Estrelas, ao qual nunca quis chamar partido.

Nas eleições legislativas de 2013, tornou-se a terceira força política mais votada, com 25,56%. Caracterizado por observadores como eurocético e populista, o M5E soube capitalizar o mal-estar social e forçou mudanças na orientação dos partidos políticos tradicionais para dar resposta aos protestos.

O M5E sofreu contudo desde então uma quebra acentuada de apoio popular e viu-se recentemente envolvido numa polémica a propósito de declarações da presidente da câmara de Quarto (sul), militante do movimento, que se disse ameaçada por um vereador do mesmo partido com ligações à máfia local.

A polémica, segundo Di Battista, nada tem a ver com o afastamento de Grillo. "Não houve escândalo nenhum. O Partido Democrático [do primeiro-ministro, Matteo Renzi], para distrair a opinião pública, organizou um ataque sem precedentes contra um movimento político que se comporta de maneira perfeita", considerou.

A decisão de Grillo, por outro lado, "não surpreendeu os militantes", assegurou o deputado. "É um processo normal, já antes tínhamos afirmado que assumíamos as responsabilidades de forma horizontal. Grillo disse que queria retirar o seu nome do movimento e agora veio a sua declaração. Não é nada de novo", disse.

"Houve muita gente que disse que ele era o líder máximo do movimento, mas ele sempre disse que o movimento caminha por si próprio", acrescentou.

Lusa

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