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Rei de Espanha recomeça a ouvir partidos com vista à formação de Governo

O Rei de Espanha recebe hoje pela segunda vez os partidos políticos com assento parlamentar para decidir quem convida a formar governo, depois de na semana passada o PP de Mariano Rajoy ter recusado um primeiro convite.

Rei de Espanha

Rei de Espanha

© Andrea Comas / Reuters


Na passada sexta-feira, Felipe VI convidou o presidente do Governo em funções, Mariano Rajoy, (PP, força mais votada nas eleições gerais de 20 de dezembro), mas o presidente dos populares declinou o convite para se apresentar a uma votação de investidura no Congresso dos Deputados, alegando que "de momento" não o faria, por não ter apoios para vencer a votação.

A recusa de Rajoy, vista como um movimento tático, ocorreu depois de o Podemos (esquerda radical), de Pablo Iglesias, ter apresentado ao Rei um plano para formar um governo de coligação com o PSOE e a Izquierda Unida (Comunistas). Iglesias surpreendeu todos os outros partidos, incluindo os socialistas, ao propor-se como vice-presidente e ao reclamar para o seu partido pelo menos cinco ministérios num futuro executivo.

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, reiterou a sua posição: primeiro cabe a Rajoy tentar formar Governo, pelo que insistiu que o PP deve aceitar o convite para a votação de investidura, para que a esquerda o possa "chumbar" no parlamento. Disse mesmo que o PSOE só iniciará negociações se Rajoy perder a votação de investidura ou recusar outro convite de Felipe VI.

As eleições de dezembro ditaram uma vitória do PP sem maioria absoluta (123 deputados), um segundo lugar para o PSOE (90 deputados) e o terceiro para o Podemos (69 deputados incluindo as formações regionais "irmãs" do En Comú Podem, do Compromís e do En Marea). O Ciudadanos, de Albert Rivera, conseguiu 40 assentos.

Como a maioria absoluta se obtém aos 176 deputados, todos os partidos necessitam de acordos (pelo menos com uma outra formação) para poderem chegar ao poder.

O Ciudadanos e o Podemos são ouvidos pelo Rei na segunda-feira. Na terça-feira é a vez do PSOE, enquanto o PP fecha as audições, na tarde do mesmo dia.

O socialista Pedro Sánchez é assim recebido pelo Rei três dias depois de uma reunião do Comité Federal do PSOE, no sábado, na qual os "barões" socialistas (provenientes de várias regiões autonómicas) poderão dar um novo mandato ao seu líder nacional para negociar, ou não, com o Podemos. Vários históricos do PSOE têm falado em "sentimento de humilhação" pela oferta de governo do Podemos, temendo que os socialistas percam espaço à esquerda para o partido de Pablo Iglesias.

O PP e o Ciudadanos querem um grande acordo com o PSOE (os três partidos opõem-se a mexidas na constituição para permitir consultas sobre a independência), mas os socialistas insistem que não negociarão com Mariano Rajoy, preferindo uma solução "à portuguesa". Ou seja, preferem governar sozinhos com o apoio parlamentar do Podemos.

O partido de Pablo Iglesias já afirmou que só contempla entrar num governo com o PSOE, por não confiar nas políticas socialistas enquanto estão no executivo.

O prazo de dois meses para eleger um presidente do Governo (findo os quais se convocam novas eleições) só começa a correr depois da primeira votação de investidura, no qual o candidato tem de obter maioria absoluta. Nas seguintes, basta maioria simples.

Hoje, o Rei recebe os partidos Nova Canárias, o Foro Asturias e a Coligação Canária.

Lusa

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